sexta-feira, 15 de julho de 2011

OFICINA ENCERRADA NA CASA DAS ROSAS - ESTAMOS EM OUTRO ENDEREÇO

Que pena!
Esta etapa de nossa oficina acabou!

Mas ha outra oficina em andamento: www.ical.org.br
Acontece todas as quintas feiras - das 14 ás 17 horas -  no bairro dos Jardins em São Paulo.

Entre em contato com o ICAL:
contato@ical.org.br

Nos veremos lá!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

NOVO BLOG DA OFICINA



http://www.icaltextos.blogspot.com/


É aqui agora onde concentramos os textos criados nas Oficinas Idéias e Ideais.
Vá ver como nosso grupo está escrevendo.

Obrigada
Ana Maria

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ESTAMOS EM FÉRIAS DA OFICINA!


Queridas oficineiras!
Acabamos de entrar em férias da Oficina Idéias e Ideais.
Mas isso não quer dizer que as escritoras que existem dentro de vocês vai entrar em férias também. É claro que não! Neste período vocês vão continuar escrevendo e enviando para mim os textos criados. Não esmorecer jamais!
Dia 13 de dezembro temos um almoço de confratenização no Bovinus da Avenida Paulista para as "AJEBIANAS" e para as nossas "OFICINEIRAS". Nesse almoço vamos encerrar as atividades de 2008 e falar dos projetos para 2009. Não faltem!
Nos veremos no Bovinus. Até lá!
Ana Maria

sábado, 25 de outubro de 2008

A menina do casarão - Carmen Apóstolo




A Menina Do Casarão

Carmen Apóstolo

Lola, quando menina, morava num casarão ao lado da matriz, na cidade Rio do Meio.
Todos os anos na ocasião do natal, aquela grande família se reunia ali para festejar a data.
Bem , o melhor é que eu conte de uma vez a vocês como tudo ocorria nessa ocasião:
Era noite de natal!
Tudo estava iluminado ! Na sala , a mesa comprida , comportava até os que resolvessem aparecer
de última hora..
A leitoa pururuca, o arroz de forno e o cabrito assado...Ah! La isso não faltava!... E, também o mantecau, o doce espanhol de tia Antônia , era o preferido dos doces. Ai , era pra comer de olhos fechados ! Enquanto isso , as crianças corriam de cá pra lá, ali perto do quintal.
A praça já estava movimentada . O carrilhão da torre da igreja marcava vinte e duas horas. Daí até meia noite era um corre-corre danado! Estavam todos a espera da missa do galo , a meia noite.
As crianças , quando passavam pela sala já iam se deliciando com aqueles docinhos gostosos feitos por tia Conceição.. Tudo era festa, com muita alegria e muita fartura! A jovem se lembrava
de todos os fatos e os relatava a mim de maneira singular. Parecia que lá eu estava a fazer parte do Manjar dos Deuses . Os sapatinhos das crianças , cheios de capim verdinho, ficavam na janela para que o cavalinho de Papai Noel comesse, caso tivesse fome. Naquela época não se ouvia falar em renas, Noel vinha a cavalo mesmo! Depois de apear , subia no telhado e descia pela chaminé,
deixando os presentes debaixo da árvore ou nos sapatinhos cheios de capim. Isto, só depois da turminha se deitar para dormir. E, que eu saiba, ninguém dormia...
Entre os priminhos crianças havia mais de dez , que hoje não são mais crianças e se transformaram
em respeitáveis senhores e senhoras.
Sempre, por ocasião dessa data, Lola recorda com saudade que lhe dói forte...
Tudo como já disse Fernando Pessoa no seu poema “Aniversário “ “...As tias velhas, os primos diferentes... “
Muitos anos se passaram...
Um dia Lola voltou à cidadezinha para matar a saudade. Estava tudo quase como dantes, a não ser a matriz que foi ricamente reconstruída.
Para sua surpresa, o casarão estava todo iluminado !
Chegou-se até a calçada e ali deparou com o primo mais velho, o senhor Justino, que muito comovido disse:
Hoje sou dono do velho casarão e de todas as alegrias que aqui vivemos A mesa ainda está lá esperando um delicioso leitão e os docinhos tão gostosos porque aquelas crianças, somos nós !

Presente de Natal - Isabel C. Sousa




Presente de Natal


Inúmeros contos de Natal já foram contados - recontados - e quase todos com o mesmo cenário.

A neve caindo como flocos de algodão – Papai Noel com seu trenó puxado pelas elegantes renas...

Este quadro poético todos os anos se aviva em nossa memória.

A neve sempre foi alvo de inspiração aos poetas e sonhadores. Basta imaginá-la para vê-la através das vidraças – então admirar os caminhos brancos e sublimes.

No entanto, a minha narrativa começará assim:

A chuva torrencial desaba impiedosamente sobre o Morro do Ipê amarelo – os moradores lutam para salvar seus parcos haveres...

Se ao invés da chuva fosse:

A neve cai suavemente sobre o Morro do Ipê amarelo – os moradores se extasiam e bendizem a Natureza...

Se seus habitantes não fossem pobres seria uma lindíssima paisagem – caso contrário eles ficariam enregelados e incapazes de se locomoverem.

Retornemos então ao Morro do Ipê amarelo.

O cenário é real e por vezes trágico, não quero dar-lhe uma dimensão de fatalidade, simplesmente pretendo narrar uma história de um Natal tropical.

A chuva cai incessante depois de um dia de sol ardente – há um misto de alegria e tristeza no ar.
Depois da luta pela sobrevivência – a chuva dá uma trégua.

É Natal!

Mas há sempre uma saudade no dia de Natal, por alguém que está longe ou, que já se foi para sempre.

Dentro dos toscos lares há luz – há esperança – risos – sobretudo na agitação das crianças que ansiosas esperam o Papai Noel.

A meia-noite se aproxima, então o Bom Velhinho de barba branca e sacola vermelha faz sua aparição escorregando por vezes no chão lamacento, mas é a hora de esquecer as dificuldades.

Distribui sorrisos, simples brinquedos e algumas roupas.

Entretanto, na casa do “seu” João havia duas crianças decepcionadas esperando em vão algum brinquedo ou alguma roupa. A mãe fora levada com urgência para a maternidade, e a comunidade ao meio do reboliço achou por bem respeitar o silencio da casa dos vizinhos.

A noite passou - o dia raiou – a mãe chegou perto do meio-dia.

Com o bebê ao colo e a alegria estampada no rosto abraçou com emoção os pequenos Rita e Luís dizendo-lhes cheia de amor:

Meus queridos, aqui está o presente do Papai Noel – olhem como é lindo!

Rita e Luís baixaram os olhos e responderam em coro:

Presente coisa nenhuma – Papai Noel se esqueceu da gente.

Em vão os pais tentaram melhorar a situação com várias promessas.

Outros natais vieram - Paulo foi crescendo – Rita e Luís mal o olhavam – ele representava a lembrança de um Natal triste – nunca queria brincar com ele.

No Morro do Ipê amarelo há pessoas que se consideram felizes apesar das dificuldades do local – conformadas – sonhadoras – há um mistério – um fascínio – quando os Ipês florescem o sol brilha e penetra nas ruelas.

O mato cresce livremente pelas encostas onde crianças brincam alheias aos perigos iminentes, nos encanta e ao mesmo tempo uma tristeza nos invade ao olhar aquele lugar desprovido dos recursos mais elementares.

Repete-se o Natal e nada muda.

Inicio do século XXI, e tanta gente vivendo sem conforto! Enquanto a pouca distância – outro mundo existe – progresso – sonho- magia – e ricas construções.

O Morro do Ipê amarelo lá está – uma capelinha improvisada bem no topo repica os sinos anunciando mais uma vez o nascimento de Cristo.

O dia amanheceu ensolarado, parecia rir da chuva forte da véspera.

Rita e Luís correram pela encosta do morro, Paulinho chorou que queria acompanhá-los. E, ainda disseram:

Não queremos cachorrinho atrás da gente.

Teimando, Paulinho os seguiu escondendo-se entre as árvores.

Os caminhos enlameados e escorregadios punham em risco a pequena aventura de cai e levanta daqueles pequenos exploradores de um espaço que eles tão bem conheciam.

A certa altura, porém, ambos escorregaram e se estatelaram dentro do córrego imundo.
Seguraram-se a uns galhos cujas raízes pareciam prestes a romper a terra encharcada. Não agüentariam por muito tempo e a forte correnteza os levaria na enxurrada.

Paulo pressentido a tragédia correu em busca de ajuda. Logo encontrou alguém que passava a alguns metros de distância e que prontamente os socorreu.

Desse modo a frágil e doce criança pode evitar uma tragédia.

Por fim, Rita e Luís, depois de restabelecidos do susto, comovidos abraçaram o irmãozinho e murmuraram juntos:

Paulinho, você foi o nosso melhor presente de Natal!

Os três se abraçaram e felizes voltaram para casa enchendo também de alegria a mãe e o pai.

Até o ipê amarelo deixou cair sobre a humilde casa as pétalas douradas de suas delicadas flores embelezando o cenário do começo de mais um capitulo que prometia muita paz e muito amor.

Natal - Isabel C. Sousa
























Natal


Isabel C. S. Sousa


Era noite de Natal,
Um garotinho
Com um retrato na mão
E a alma cheia de fé
Foi devagar pé ante pé
Colocá-lo no sapatinho
Junto à árvore de Natal

Ajoelhou e rezou
Uma pequenina oração

Papai Noel
Não lhe pedirei presente
Como mamãe está ausente
Peço-lhe um favor então
Que procure minha mãezinha
Talvez esteja sozinha
E dê-lhe um abraço grandão

Aqui lhe deixo a sua fotografia
Para que a possa encontrar no céu
Papai Noel dê-lhe um pouco de alegria
E diga-lhe que não esqueço o rosto seu

Há pelo ar um misto de alegria e tristeza
Há gente tão só no meio da multidão
Há um menino que com toda a singeleza
Crê em Papai Noel e lhe pede proteção.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

proximo encontro: FALAREMOS DE SUPERSTIÇÃO

Preparem o espírito para falarmos de crendices, ou seja falaremos do sobrenatural. Quem tiver pode levar para mostrar para a turma: figa, trevo de quatro folhas, pé de coelho, ferradura ou qualquer amuleto ou talismã.

Sabe algum causo de saci, fantasma, alma penada? Então prepare-se para contar-nos

Texto coletivo do último encontro




Na última terça feira fizemos um texto coletivo onde foi dada a frase inicial e depois cada uma foi acrescentando uma frase seqüencial. E o texto ficou assim:

Corre, apaga o fogo. A panela está queimando!
Queimando o que, o fundo ou a boca? A tampa seria?
Não, a comida! Está até cheirando.
Não temos mais tempo nem dinheiro.
Não podemos comer feijão queimado no almoço.
É, feijão queimado faz mal a saúde. Procuremos preserva-la. Sempre que isso acontecer, jogue fora e faça outro, o que vale mais é a saúde.
Mas eu já disse, não tenho dinheiro!
Ih, anda logo estou com fome!

É Natal - Carmen Apóstolo




É Natal !
Carmen Apóstolo

É natal , as luzes piscam
Como quisessem brincar,
Recordando o nascimento
Do amor que todos têm,
Nasceu um rico menino
Na pobre gruta, em Belém !
Foi saudado por reis,
Pastores e animais !
E a estrela brilhando ao fundo
Conduzia ao primeiro lar
Onde nascia o Salvador do Mundo!
Hoje a noite é feliz,
É feliz e iluminada ,
Lembrança ,já consagrada
Que o tempo não apaga !
De presente, a cada ano,
Mais um dia nascedouro,
Reluzindo sempre o ouro
Na manjedoura, em Belém!
Pois, eis que surge de novo
A mesma estrela brilhante
A festejar novamente
O renascer importante !
Oh celestial criatura,
Escutai a nossa voz :
_Hosana a Deus nas alturas,
Paz na terra a todos nós !

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Amor bandido - Noemi Carvalho




Amor bandido...

Uma sala de visitas com a televisão ligada no melhor programa dominical.


Letícia sentada no sofá preto,amamentava o filhinho.


O marido estava viajando,percorrendo cidades do interior,vendendo produtos importados.
A notícia destacava a prisão de quatro homens envolvidos no crime de fraudar o fisco: o contrabando.


Ouve-se um grito:


--Mãe!!!!!


--Que foi filha.Você me assustou!


A filha chorava muito e apontava a tela.


A mãe também gritou!


Em pouco tempo,a pequena sala encheu-se de parentes e amigos.


Todos viram a mesma notícia.


Um dos homens presos era o marido ausente.Ela o conhecera na domingueira.Não era da cidade e encheu a cabecinha da garota com mil e uma fantasias.


Em pouco tempo os pais autorizaram o casamento.Sem a presença de parentes do noivo,que era sozinho no mundo,coitado!


Agora o casamento desmanchara-se. Os pais acolheram a filha e o neto,pressionando-a a esquecer o marido bandido.


Mas a pobre moça ainda adolescente não segurou a onda.


Ele com o chamego de don Juan dava ordens e ela obedecia.


Com ele na cadeia ela do lado de fora virou contrabandista.Perita no assunto se tornou e não demorou para ir morar na cadeia fazendo as regras para as companheiras que entravam ou saiam para a liberdade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Aniversário também é decepção - Maura Fernandes






ANIVERSÁRIO TAMBÉM É DECEPÇÃO

Bisbilhotando a bolsa do marido, Jericiúma, encontra uma curiosa caixinha toda dourada, linda mesmo! Pensou - deve ser pra mim que faço aniversário amanhã.


E deu-lhe vontade de saber o que continha aquela belezura. Sentou-se a beira da cama, e pumba! Abriu o presente e teve uma bela surpresa! Era um babydol amarelo, lindo!... Nunca comentei que gostava disso!


Naquela mesma noite enquanto foi ao teatro com amigas, ele ficou em casa tomando uma cerveja com os amigos. No entanto, Ela vitimada por cólicas, teve que voltar mais cedo. Quando chegou o pavor tomou conta de seu semblante, ele estava vestindo a tal pecinha engraçadinha. Não a viu, e saiu. Nunca mais foi visto! O Aniversário deixou-a traumatizada, tanto que ao falar lhe causa náusea. Ela o deixou naquele dia e até hoje não se reconciliaram...


Presente revelador - Ana Maria




Presente revelador

Ana Maria


Engraçado que ele nunca quis me agradar tanto! Uau, este aniversário promete! – Pensava Francisca enquanto caminhava afoita em direção ao cabelereiro, queria deslumbrar, afinal era sua data.


Não tirava da cabeça o presente que descobriu na maleta do marido, uma lingerie amarela com a qual exuberaria num quarto qualquer de motel para agradar seu companheiro de mais de quinze anos. Norberto sempre foi excuso não gostava de demonstrar seus sentimentos. Fechava-se muitas vezes e não dizia palavra alguma tendo Francisca que adivinhar seu pensamento. Era chato isso sim, mas ela gostava de suas carícias, o admirava como marido. Amor não, ela achava que não havia mais amor entre eles, apenas um respaldo de respeito. Nunca tiveram filhos, vontade de Norberto, crianças atrasavam a vida deles – dizia.


Ao anoitecer a mulher postou-se produzida e perfumada diante da porta que ele abriria para comemorarem seu aniversário. O marido saiu cedinho bem vestido num terno alinhado, tudo para agradá-la no final do dia! Ali já estava há mais uma hora. Às vezes pegava o fone e ensaiava ligar, mas desistia, não queria parecer imediatista. Desligou o Frank Sinatra que cantava seguidamente a mesma música, e entreteu-se na novela. Ia ser uma noite como todas as outras, ela ficaria ali esperando por ele até ele chagar cansado e já alimentado. O trabalho dele era sempre mais importante! – queixava-se ela.


Na tela as mesmas personagens parecia muito com sua vida, a mesmice. Eis que entra em edição extraordinária o jornal dizendo de um incêndio em tradicional fábrica de tecido. Era a firma do Norberto. Os bombeiros diziam que havia ainda alguém lá dento. Ela apavorou-se, era ele que estava lá. Como ela poderia ficar achando que ele não lembraria de seu aniversário se até o presente comprou com antecedência! Era uma boboca, isso sim! – pensava enquanto roia as unhas esmaltadas. Via com aflição o trabalho dos homens da corporação em escadas magirus alçando o andar da janela do escritório do marido e retirando de lá duas pessoas desacordadas. Ela benzeu-se agradecendo por essa façanha. Os repórteres noticiaram as identidades das vítimas: Norberto Silveira e Carlos Lima, os paramédicos dizem que vão ficar bem. Francisca pensou, esses dois estão sempre juntos até na tragédia!Os jornalistas amontoaram-se no local aproximando a câmera para melhor tomada de imagem e o que se pode ver chocou Francisca. Carlão usava calças com arrebites metálicos e correntes com grossos elos nas mãos, enquanto Norberto vestia uma delicada lingerie amarela...

Encontro de 21 de outubro - Lição de sala e lição de casa


OFICINA IDÉIAS E IDEAIS
3º encontro – Livraria Cortez – 21 de outubro de 2008

AMBIGUIDADE - Evite-a para fazer uma boa redação

A ambigüidade é um dos problemas que podem ser evitados na redação. Ela surge quando algo que está sendo dito admite mais de um sentido, comprometendo a compreensão do conteúdo.

Isso pode suscitar dúvidas no leitor e levá-lo a conclusões equivocadas na interpretação do texto.

A inadequação ou a má colocação de elementos como pronomes, adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo enunciados inteiros podem acarretar em duplo sentido, comprometendo a clareza do texto. Observe os exemplos que seguem:

· "O professor falou com o aluno parado na sala"

Neste caso, a ambigüidade decorre da má construção sintática deste enunciado. Quem estava parado na sala? O aluno ou o professor? A solução é, mais uma vez, colocar "parado na sala" logo ao lado do termo a que se refere: "Parado na sala, o professor falou com o aluno"; ou "O professor falou com o aluno, que estava parado na sala".

· "A polícia cercou o ladrão do banco na rua Santos."

O banco ficava na rua Santos, ou a polícia cercou o ladrão nessa rua? A ambigüidade resulta da má colocação do adjunto adverbial. Para evitar isso, coloque "na rua Santos" mais perto do núcleo de sentido a que se refere: Na rua Santos, a polícia cercou o ladrão; ou A polícia cercou o ladrão do banco que localiza-se na rua Santos"

· "Pessoas que consomem bebidas alcoólicas com freqüência apresentam sintomas de irritabilidade e depressão."

Mais uma vez a duplicidade de sentido é provocada pela má colocação do adjunto adverbial. Assim, pode-se entender que "As pessoas que, com freqüência, consomem bebidas alcoólicas apresentam sintomas de irritabilidade e depressão" ou que "As pessoas que consomem bebidas alcoólicas apresentam, com freqüência, sintomas de irritabilidade e depressão".

Uma das estratégias para evitar esses problemas é revisar os textos. Uma redação de boa qualidade depende muito do domínio dos mecanismos de construção da textualidade e da capacidade de se colocar na posição do leitor.

Ambigüidade como recurso estilístico

Em certos casos, a ambigüidade pode se transformar num importante recurso estilístico na construção do sentido do texto. O apelo a esse recurso pode ser fundamental para provocar o efeito polissêmico do texto. Os textos literários, de maneira geral (como romances, poemas ou crônicas), são textos com predomínio da linguagem conotativa (figurada). Nesse caso, o caráter metafórico pode derivar do emprego deliberado da ambigüidade.

Podemos verificar a presença da ambigüidade como recurso literário analisando a letra da canção "Jack Soul Brasileiro", do compositor Lenine.

Já que sou brasileiro
E que o som do pandeiro é certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do suingue é o país da contradição
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada, na língua da percussão
A dança, a muganga, o dengo
A ginga do mamulengo
O charme dessa nação (...)

Podemos observar que o primeiro verso ("Já que sou brasileiro") permite até três interpretações diferentes. A primeira delas corresponde ao sentido literal do texto, em que o poeta afirma-se como brasileiro de fato. A segunda interpretação permite pensar em uma referência ao cantor e compositor Jackson do Pandeiro - o "Zé Jack" -, um dos maiores ritmistas de todos os tempos, considerado um ícone da história da música popular brasileira, de quem Lenine se diz seguidor. A terceira leitura para esse verso seria a referência à "soul music" norte-americana, que teve grande influência na música brasileira a partir da década de 1960.

O recurso à ambigüidade no texto publicitário

Na publicidade, é possível observar o "uso e o abuso" da linguagem plurissignificante, por meio dos trocadilhos e jogos de palavras. Esse procedimento visa chamar a atenção do interlocutor para a mensagem. Para entender melhor, vamos analisar a seguir um anúncio publicitário, veiculado por várias revistas importantes.

Sempre presente
Ferracini Calçados

O slogan "Sempre presente" pode apresentar, de início, duas leituras possíveis: o calçado Ferracini é sempre uma boa opção para presentear alguém; ou, ainda, o calçado Ferracini está sempre presente em qualquer ocasião, já que, supõe-se, pode ser usado no dia-a-dia ou em uma ocasião especial.

Se você não se julga ainda preparado para uma utilização estilística da ambigüidade, prefira uma linguagem mais objetiva. Procure empregar vocábulos ou expressões que sejam mais adequadas às finalidades do seu texto.

*Nilma Guimarães é graduada e licenciada em Letras Clássicas e Vernáculas pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Atualmente faz mestrado em Educação na USP, na área de metodologia do ensino de Língua Portuguesa.

PROPOSTA DE TEXTO PARA A SALA: Você vê na bolsa dele um presente embrulhado com muito requinte e fica radiante, pois seu aniversário se aproxima. Curiosa abre com cuidado a embalagem e vê linda lingerie amarela envolta em cetim branco bem organizada numa caixa dourada que exala um suave perfume floral. Emocionada com o presente que ganharia prefere guardar segredo de sua descoberta para fazer-se surpresa quando fosse presenteada. Eis que no dia do aniversário...

SEGUNDO TEXTO PARA SER FEITO EM SALA: Na calçada tumultuada o homem caminha apressado para evitar mais um atraso em seu novo trabalho. Será o terceiro da semana e o chefe não iria tolerar. Sufocado e suando frio, corre ofegante. Mas as pessoas parecem se multiplicar à sua frente, os carros cruzam seu caminho, os camelôs interceptam sua trajetória, tudo parece um complô para que ele seja despedido outra vez. CONTE ESSA HISTÓRIA DANDO AOS PERSONAGENS SUAS CARACTERÍSTICAS. DÊ AO TEXTO UM DESFECHO QUE CHOQUE O LEITOR. SURPREENDA-O! OUSE! SAIA DO “LUGAR COMUM”!

Fizemos esses dois textos em sala. Fizemos também um texto coletivo que ficou muito bom! Estamos ficando bons nisso! (risos). Quem não esteve presente pode fazer também esses dois contos e leva-los para serem lidos no próxima terça feira.

Para casa:
Criar um conto que se passe em época de Natal. Não faça um conto natalino de festejos comuns. Isso servirá para "sairmos do lugar comum".
OUSE!
CRIE PERSONAGENS DIFERENTES.
SITUAÇÕES INUSITADAS.

domingo, 19 de outubro de 2008

Um mineiro na ponte aérea - Carmen Apóstolo





Orlando era um mineiro muito rico e muito medroso.Fazia sua primeira viagem de avião , em primeira classe, de Confins ao Rio de Janeiro. Estava esbaforido de medo.
Mais ou menos na metade do trajeto ele grita , desesperado :
_Dona aeromoça, estou sentindo um calor do Tisnado ,do Duba -Dubá, sei la...
Um momento, vou buscar um dicionário !
_Por acaso a senhorita vai me abanar com ele?
_Pelo menos vou saber o que o senhor está falando.
_Eu quero é tirar a roupa, puxe daí que eu puxo de cá... Ajude, Abra a porta que eu quero sair !
_Não é possível, senhor, calma!
O avião entrou em turbulência e Orlando desatou os laços de seu repertório regional, gritando:
_Socorro.............Socorro ! Estou atordoado com essa tremedeira de avião. Moça, oipossevê:
Eu fiquei sensabê doncovim e proncovô !
_O senhor já chegou ao seu destino.
_Oncotô ?
_Na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro !...
Dirigindo-se à aeromoça, o mineiro pergunta com toda simplicidade:
_Agora posso por a roupa?

sábado, 18 de outubro de 2008

Bêbado e trapalhão - Carmen Apóstolo


Bêbado e trapalhão

Carmen Apóstolo

Os bombeiros foram chamados para salvarem um suicida que estava pendurado nas grades do
Viaduto do Chá. Estava muito bêbado e só falava em versos.
Nesse momento passou por ali um grande apresentador de T.V. , muito sério, e também com a fisionomia bem amarrada .Ele tentou convencer aquele senhor a mudar de idéia. Fez uma entrevista
com rimas para ser mais convincente :
Apresentador: Meu senhor, o que o levou
A essa atitude tomar ?
Só por causa de uma lei
O senhor quer se matar ?
Desista de tudo isso,
Venho aqui pra negociar

Bêbado: Foi a lei seca, doutor
Essa coisa atrapalhada,
Me levaro pra cadeia ,
Me fizero toma banho
Da cabeça até no pé
Mia muié ficou danada,
Diz que por causa da pinga ,
A lei seca foi molhada!
Apresentador:
Não beba mais, nunca mais,
Quem bebe perde o que tem,
A bebida não convém !

Bêbado Nos campo do fazendão
Eu perdi minha boiada,
La se foi o meu carrão
E minha viola afinada!
Fiquei sozinho na estrada,
Eu e a pinga marvada !
Mais si é pra salvar gente
Nunca mais eu vou morrer
Isso fica pra depois...
Quando eu parar de beber !...
Os bombeiros e o apresentador salvaram a vida do bêbado trapalhão que retirou de uma sacola amarrada na cintura , um belo litro de pinga dizendo :

_Amigos, vamos brindar a vida !...

Caminhos opostos - Isabel C. S. Sousa




Caminhos opostos

Isabel C. S. Sousa


Parecia tudo cor-de-rosa – depois de um casamento regado por uma paixão avassaladora - amor estilo romântico – tranqüilo... doce...


Ana - vinte e cinco anos – sedutora – olhos brilhantes – corpo graciosamente arredondado – passos macios e firmes – possuía tudo o que fascinava Pedro.
Pedro – cerca de trinta e cinco anos - era elegante - olhos esverdeados iluminavam seu rosto moreno – sua conversa fluía com desenvoltura e se denotava certa experiência de vida.


Ana se encantou por ele.


Seria o casamento perfeito, juntando os sonhos de ambos e estabilidade financeira.


Assim, algum tempo se passou e Ana fazia de sua vida um conto de fadas.
Até que um dia, há sempre um dia que nos rouba a fantasia. Em um programa de TV, Ana vê a foto de seu marido estampada na telinha fazendo parte dos procurados pela policia.


Foi como se a noite baixasse de repente e as estrelas se apagassem.
Descobriu então, que ele era traficante.


Atordoada pensou conversar com ele – pedir-lhe para mudar de vida.
Perguntar-lhe por que a havia enganado?


Seria óbvia a resposta, ele diria:


“Se eu lhe contasse você me rejeitaria e eu a amo demais!”


Não havia dúvida que ambos se amavam.


Ana pensou muito de inicio e tentou fingir ignorar a vida dupla de Pedro. Mas era difícil, se sentia hipócrita. Então abriu o jogo revelando ao marido a sua descoberta dizendo que não iria ser cúmplice fingindo que nada sabia - e reforçou – ou você sai dessa vida ou nosso casamento acaba aqui.


Pedro fez um enorme esforço para se manter calmo: Ana, eu amo você, só quero o seu perdão, mas o meu envolvimento é tão grande! A minha cabeça está a premio. Tentei levar uma vida digna depois de conhecer você, mas a vida do crime chega a tal ponto que não tem mais volta.


Alojou-se em seus corações a sensação angustiante do fim de uma história que poderia ter sido e não foi.


Quando a policia chegou Pedro entregou-se sem resistência, mas antes abraçou a esposa pedindo perdão novamente.


Foi como se tivessem construído ao redor de suas vidas um belo jardim de cristal, e que uma tempestade destruiu repentinamente, cujos estilhaços atingiram ambos profundamente.


Ana o perdoou, mas não poderia mais viver com ele. A pena de trinta anos os separou para sempre.


Foi então, que rumou sua vida amorosa para outra paixão que a levou a construir um novo jardim, mas, desta vez com bases mais sólidas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Além do véu - Carmen Apóstolo






Além Do Véu

( Carmen Apóstolo)

Com o rosto coberto
Por um Tênue véu,
Isis fica à espera
De uma luz do céu.
No saber,
A idealização do ler!
Como não sentir
Que o véu nos envolve a face
Levando-nos a entender
Que através da filosofia
Há um mundo de sabedoria
Que tudo pode abranger:
Ler, entender,
Reconstituir idéias,
*Do nada se perde,
tudo se transforma*,
Não importa a forma
E sim a lógica
E a experimentação da ciência,
Cada uma a conduzir
A verdadeira sapiência.

Estou vendendo um realejo - Carmen Apóstolo




Estou vendendo um realejo
Carmen Apóstolo

Jacy estava completamente apaixonada e resolveu se casar com João Pedro, um rapaz elegante de sua cidade.
Nos primeiros meses tudo corria bem até ela perceber alguma coisa não esperada...
Seu marido recebia muitos amigos em casa, a portas fechadas, tratando de assuntos dos quais ela
não fazia parte. Ouvia sempre uma palavra aqui, outra ali... Seu querido era um viciado. Ficou pensativa !
_Tenho que tentar, não posso abandoná-lo a sua própria sorte ! Nós nos amamos tanto...
A moça, muito perspicaz, foi analisando os pontos das poucas palavras ouvidas e logo entendeu :
_Tenho que agir com a máxima presteza! Preciso salvar João Pedro.
Montou uma estratégia, comprou um realejo com um periquito verde-amarelo. Era um verdadeiro dançarino. Movimentava-se ao ritmo e ao som das valsas vienenses.
A menina treinou bem, deu corda naquela caixa mais de mil vezes para ouvir aqueles sons , trocou todas as mensagens que a avezinha pegava com o bico para entregas às pessoas como um aviso da sorte. As frases eram todas muito positivas e entusiásticas como:
_ Você é uma pessoa maravilhosa! .
_Toda sua vida será modificada para melhor!
_Converse com as estrelas, ouça o seu interior!
_O silêncio também é bom conselheiro!
_Escute a voz do coração , ela o conduzirá ao maior sentimento, o amor !
Todas as noites ,quando o marido chegava do trabalho, os dois retiravam seus prognósticos
que a ave trazia .Vibravam em meio aos sons e palavras, abraçavam-se e beijavam-se
efusivamente.
Com o passar do tempo, aqueles bons pensamentos se enraizaram e acabaram por se transformar em bons hábitos.
Com isso, venceram todos aqueles obstáculos e são felizes até hoje!
Estou vendendo um realejo ! Você quer comprar ?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Iracema e Epitácio - Noemi Carvalho


Iracema e Epitácio


Iracema tinha muita vontade de estudar. Trabalhava numa padaria e passava o dia junto à fornalha. Quando ela aparecia ao balcão, os clientes gritavam:
-Iracema quentinha vem pra cá!
Um cliente de cara fechada, não abria a boca.
-Você gosta de pãozinho quente? - ela perguntava.
-Não! Queima a boca, ele respondia.
-Qual seu nome?
-Epitácio!
Com pouca conversa, ele virou a cabeça e ela pode ver o narigão avantajado.
Cada vez mais ela se encantava com os atributos dele.
Iracema notava que ele tinha hora certa para aparecer.
Em determinado dia,apareceu fora de hora.
-Você não quer ir comigo à escola?
Ela ficou admirada!
Desde então, Iracema vai à escola de mãos dadas com Epitácio.
noemicarvalho@uol.com.br

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Santo Antonio me arruma um noivo!! - Noemi Carvalho




Santo Antonio me arruma um noivo!!!!!!


Nesta tarde tão florida
Com tantos convidado,
Eu tô aqui pra mór
De encontrá um noivo.

Meu vestido tá encomendado
Minha grinarda é faceira
Mas farta o noivo eu achá.

Prá mór de vê se encontro
Nesta prateia tão bonita,
Trouxe doce prá nóis comemorá.

Lá do sítio onde moro
Há de chegá muita gente.
Mas a bicharada era muita,
Então trouxe só a galinha Jacinta
Prá mór de representá.

Oi Jacinta,
Se comporta!...
Aqui não é galinhero,
É festa do meu noivado
Só tô esperando o noivo chegá...

Sô muito devota!
Santo Antonio é meu santo preferido.

Converso com ele todo dia,
Prá mór de um noivo arranjá.
Até trouxe ele pra me ajudá!
Mais viu Santo Antonio,
Ocê tem que caprichá
Pois quero um noivo de muitas qualidade.
Não sou exigente não!
Só quero um noivo bonito e cheiroso
Pois meu nariz num guenta mais
Tanto cheiro da porcada lá do sítio.
Ah! Ele tem que tê boca perfumada
Prá mor de uns beijo a gente trocá.
Pode tê dentadura mas não me deixa vê ele sem dente.
Tem que sê carinhoso prá mor de fazê cócega no meu pescoço.

Santo Antonio ,vê lá o noivo que vai me arranjá,
Pois minha mãezinha lá no céu ia ficá muito contente
De eu tê um noivo bem aprumado.
Ah! Santo Antonio não deixa ele sê guloso
No fogão não quero ficá pois quero tê
Tempo prá namorá.

Já que fiz minhas exigência,Santo Antonio!
Prá prateia vou de novo oiá,
Prá mor do noivo eu encontrá.

Todo mundo já é cumprometido,
Então meu santinho já que aqui
Não vou arrumá um noivo,
Vô esperá o outro aniversário do sinhô.Se até lá,
Eu não arranjá, perco a paciência,boto o Sr.
De cabeça prá baixo,vou fazê tanta promessa
Até o noivo encontrá.

Agora vamo comemorá ,
Vóis distribui doce prá adoçá
Os cunvidado,prá mor deles
Esperá até o noivo chegá.
noemicarvalho@uol.com.br