sexta-feira, 15 de julho de 2011

OFICINA ENCERRADA NA CASA DAS ROSAS - ESTAMOS EM OUTRO ENDEREÇO

Que pena!
Esta etapa de nossa oficina acabou!

Mas ha outra oficina em andamento: www.ical.org.br
Acontece todas as quintas feiras - das 14 ás 17 horas -  no bairro dos Jardins em São Paulo.

Entre em contato com o ICAL:
contato@ical.org.br

Nos veremos lá!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

NOVO BLOG DA OFICINA



http://www.icaltextos.blogspot.com/


É aqui agora onde concentramos os textos criados nas Oficinas Idéias e Ideais.
Vá ver como nosso grupo está escrevendo.

Obrigada
Ana Maria

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ESTAMOS EM FÉRIAS DA OFICINA!


Queridas oficineiras!
Acabamos de entrar em férias da Oficina Idéias e Ideais.
Mas isso não quer dizer que as escritoras que existem dentro de vocês vai entrar em férias também. É claro que não! Neste período vocês vão continuar escrevendo e enviando para mim os textos criados. Não esmorecer jamais!
Dia 13 de dezembro temos um almoço de confratenização no Bovinus da Avenida Paulista para as "AJEBIANAS" e para as nossas "OFICINEIRAS". Nesse almoço vamos encerrar as atividades de 2008 e falar dos projetos para 2009. Não faltem!
Nos veremos no Bovinus. Até lá!
Ana Maria

sábado, 25 de outubro de 2008

A menina do casarão - Carmen Apóstolo




A Menina Do Casarão

Carmen Apóstolo

Lola, quando menina, morava num casarão ao lado da matriz, na cidade Rio do Meio.
Todos os anos na ocasião do natal, aquela grande família se reunia ali para festejar a data.
Bem , o melhor é que eu conte de uma vez a vocês como tudo ocorria nessa ocasião:
Era noite de natal!
Tudo estava iluminado ! Na sala , a mesa comprida , comportava até os que resolvessem aparecer
de última hora..
A leitoa pururuca, o arroz de forno e o cabrito assado...Ah! La isso não faltava!... E, também o mantecau, o doce espanhol de tia Antônia , era o preferido dos doces. Ai , era pra comer de olhos fechados ! Enquanto isso , as crianças corriam de cá pra lá, ali perto do quintal.
A praça já estava movimentada . O carrilhão da torre da igreja marcava vinte e duas horas. Daí até meia noite era um corre-corre danado! Estavam todos a espera da missa do galo , a meia noite.
As crianças , quando passavam pela sala já iam se deliciando com aqueles docinhos gostosos feitos por tia Conceição.. Tudo era festa, com muita alegria e muita fartura! A jovem se lembrava
de todos os fatos e os relatava a mim de maneira singular. Parecia que lá eu estava a fazer parte do Manjar dos Deuses . Os sapatinhos das crianças , cheios de capim verdinho, ficavam na janela para que o cavalinho de Papai Noel comesse, caso tivesse fome. Naquela época não se ouvia falar em renas, Noel vinha a cavalo mesmo! Depois de apear , subia no telhado e descia pela chaminé,
deixando os presentes debaixo da árvore ou nos sapatinhos cheios de capim. Isto, só depois da turminha se deitar para dormir. E, que eu saiba, ninguém dormia...
Entre os priminhos crianças havia mais de dez , que hoje não são mais crianças e se transformaram
em respeitáveis senhores e senhoras.
Sempre, por ocasião dessa data, Lola recorda com saudade que lhe dói forte...
Tudo como já disse Fernando Pessoa no seu poema “Aniversário “ “...As tias velhas, os primos diferentes... “
Muitos anos se passaram...
Um dia Lola voltou à cidadezinha para matar a saudade. Estava tudo quase como dantes, a não ser a matriz que foi ricamente reconstruída.
Para sua surpresa, o casarão estava todo iluminado !
Chegou-se até a calçada e ali deparou com o primo mais velho, o senhor Justino, que muito comovido disse:
Hoje sou dono do velho casarão e de todas as alegrias que aqui vivemos A mesa ainda está lá esperando um delicioso leitão e os docinhos tão gostosos porque aquelas crianças, somos nós !

Presente de Natal - Isabel C. Sousa




Presente de Natal


Inúmeros contos de Natal já foram contados - recontados - e quase todos com o mesmo cenário.

A neve caindo como flocos de algodão – Papai Noel com seu trenó puxado pelas elegantes renas...

Este quadro poético todos os anos se aviva em nossa memória.

A neve sempre foi alvo de inspiração aos poetas e sonhadores. Basta imaginá-la para vê-la através das vidraças – então admirar os caminhos brancos e sublimes.

No entanto, a minha narrativa começará assim:

A chuva torrencial desaba impiedosamente sobre o Morro do Ipê amarelo – os moradores lutam para salvar seus parcos haveres...

Se ao invés da chuva fosse:

A neve cai suavemente sobre o Morro do Ipê amarelo – os moradores se extasiam e bendizem a Natureza...

Se seus habitantes não fossem pobres seria uma lindíssima paisagem – caso contrário eles ficariam enregelados e incapazes de se locomoverem.

Retornemos então ao Morro do Ipê amarelo.

O cenário é real e por vezes trágico, não quero dar-lhe uma dimensão de fatalidade, simplesmente pretendo narrar uma história de um Natal tropical.

A chuva cai incessante depois de um dia de sol ardente – há um misto de alegria e tristeza no ar.
Depois da luta pela sobrevivência – a chuva dá uma trégua.

É Natal!

Mas há sempre uma saudade no dia de Natal, por alguém que está longe ou, que já se foi para sempre.

Dentro dos toscos lares há luz – há esperança – risos – sobretudo na agitação das crianças que ansiosas esperam o Papai Noel.

A meia-noite se aproxima, então o Bom Velhinho de barba branca e sacola vermelha faz sua aparição escorregando por vezes no chão lamacento, mas é a hora de esquecer as dificuldades.

Distribui sorrisos, simples brinquedos e algumas roupas.

Entretanto, na casa do “seu” João havia duas crianças decepcionadas esperando em vão algum brinquedo ou alguma roupa. A mãe fora levada com urgência para a maternidade, e a comunidade ao meio do reboliço achou por bem respeitar o silencio da casa dos vizinhos.

A noite passou - o dia raiou – a mãe chegou perto do meio-dia.

Com o bebê ao colo e a alegria estampada no rosto abraçou com emoção os pequenos Rita e Luís dizendo-lhes cheia de amor:

Meus queridos, aqui está o presente do Papai Noel – olhem como é lindo!

Rita e Luís baixaram os olhos e responderam em coro:

Presente coisa nenhuma – Papai Noel se esqueceu da gente.

Em vão os pais tentaram melhorar a situação com várias promessas.

Outros natais vieram - Paulo foi crescendo – Rita e Luís mal o olhavam – ele representava a lembrança de um Natal triste – nunca queria brincar com ele.

No Morro do Ipê amarelo há pessoas que se consideram felizes apesar das dificuldades do local – conformadas – sonhadoras – há um mistério – um fascínio – quando os Ipês florescem o sol brilha e penetra nas ruelas.

O mato cresce livremente pelas encostas onde crianças brincam alheias aos perigos iminentes, nos encanta e ao mesmo tempo uma tristeza nos invade ao olhar aquele lugar desprovido dos recursos mais elementares.

Repete-se o Natal e nada muda.

Inicio do século XXI, e tanta gente vivendo sem conforto! Enquanto a pouca distância – outro mundo existe – progresso – sonho- magia – e ricas construções.

O Morro do Ipê amarelo lá está – uma capelinha improvisada bem no topo repica os sinos anunciando mais uma vez o nascimento de Cristo.

O dia amanheceu ensolarado, parecia rir da chuva forte da véspera.

Rita e Luís correram pela encosta do morro, Paulinho chorou que queria acompanhá-los. E, ainda disseram:

Não queremos cachorrinho atrás da gente.

Teimando, Paulinho os seguiu escondendo-se entre as árvores.

Os caminhos enlameados e escorregadios punham em risco a pequena aventura de cai e levanta daqueles pequenos exploradores de um espaço que eles tão bem conheciam.

A certa altura, porém, ambos escorregaram e se estatelaram dentro do córrego imundo.
Seguraram-se a uns galhos cujas raízes pareciam prestes a romper a terra encharcada. Não agüentariam por muito tempo e a forte correnteza os levaria na enxurrada.

Paulo pressentido a tragédia correu em busca de ajuda. Logo encontrou alguém que passava a alguns metros de distância e que prontamente os socorreu.

Desse modo a frágil e doce criança pode evitar uma tragédia.

Por fim, Rita e Luís, depois de restabelecidos do susto, comovidos abraçaram o irmãozinho e murmuraram juntos:

Paulinho, você foi o nosso melhor presente de Natal!

Os três se abraçaram e felizes voltaram para casa enchendo também de alegria a mãe e o pai.

Até o ipê amarelo deixou cair sobre a humilde casa as pétalas douradas de suas delicadas flores embelezando o cenário do começo de mais um capitulo que prometia muita paz e muito amor.

Natal - Isabel C. Sousa
























Natal


Isabel C. S. Sousa


Era noite de Natal,
Um garotinho
Com um retrato na mão
E a alma cheia de fé
Foi devagar pé ante pé
Colocá-lo no sapatinho
Junto à árvore de Natal

Ajoelhou e rezou
Uma pequenina oração

Papai Noel
Não lhe pedirei presente
Como mamãe está ausente
Peço-lhe um favor então
Que procure minha mãezinha
Talvez esteja sozinha
E dê-lhe um abraço grandão

Aqui lhe deixo a sua fotografia
Para que a possa encontrar no céu
Papai Noel dê-lhe um pouco de alegria
E diga-lhe que não esqueço o rosto seu

Há pelo ar um misto de alegria e tristeza
Há gente tão só no meio da multidão
Há um menino que com toda a singeleza
Crê em Papai Noel e lhe pede proteção.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

proximo encontro: FALAREMOS DE SUPERSTIÇÃO

Preparem o espírito para falarmos de crendices, ou seja falaremos do sobrenatural. Quem tiver pode levar para mostrar para a turma: figa, trevo de quatro folhas, pé de coelho, ferradura ou qualquer amuleto ou talismã.

Sabe algum causo de saci, fantasma, alma penada? Então prepare-se para contar-nos

Texto coletivo do último encontro




Na última terça feira fizemos um texto coletivo onde foi dada a frase inicial e depois cada uma foi acrescentando uma frase seqüencial. E o texto ficou assim:

Corre, apaga o fogo. A panela está queimando!
Queimando o que, o fundo ou a boca? A tampa seria?
Não, a comida! Está até cheirando.
Não temos mais tempo nem dinheiro.
Não podemos comer feijão queimado no almoço.
É, feijão queimado faz mal a saúde. Procuremos preserva-la. Sempre que isso acontecer, jogue fora e faça outro, o que vale mais é a saúde.
Mas eu já disse, não tenho dinheiro!
Ih, anda logo estou com fome!

É Natal - Carmen Apóstolo




É Natal !
Carmen Apóstolo

É natal , as luzes piscam
Como quisessem brincar,
Recordando o nascimento
Do amor que todos têm,
Nasceu um rico menino
Na pobre gruta, em Belém !
Foi saudado por reis,
Pastores e animais !
E a estrela brilhando ao fundo
Conduzia ao primeiro lar
Onde nascia o Salvador do Mundo!
Hoje a noite é feliz,
É feliz e iluminada ,
Lembrança ,já consagrada
Que o tempo não apaga !
De presente, a cada ano,
Mais um dia nascedouro,
Reluzindo sempre o ouro
Na manjedoura, em Belém!
Pois, eis que surge de novo
A mesma estrela brilhante
A festejar novamente
O renascer importante !
Oh celestial criatura,
Escutai a nossa voz :
_Hosana a Deus nas alturas,
Paz na terra a todos nós !

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Amor bandido - Noemi Carvalho




Amor bandido...

Uma sala de visitas com a televisão ligada no melhor programa dominical.


Letícia sentada no sofá preto,amamentava o filhinho.


O marido estava viajando,percorrendo cidades do interior,vendendo produtos importados.
A notícia destacava a prisão de quatro homens envolvidos no crime de fraudar o fisco: o contrabando.


Ouve-se um grito:


--Mãe!!!!!


--Que foi filha.Você me assustou!


A filha chorava muito e apontava a tela.


A mãe também gritou!


Em pouco tempo,a pequena sala encheu-se de parentes e amigos.


Todos viram a mesma notícia.


Um dos homens presos era o marido ausente.Ela o conhecera na domingueira.Não era da cidade e encheu a cabecinha da garota com mil e uma fantasias.


Em pouco tempo os pais autorizaram o casamento.Sem a presença de parentes do noivo,que era sozinho no mundo,coitado!


Agora o casamento desmanchara-se. Os pais acolheram a filha e o neto,pressionando-a a esquecer o marido bandido.


Mas a pobre moça ainda adolescente não segurou a onda.


Ele com o chamego de don Juan dava ordens e ela obedecia.


Com ele na cadeia ela do lado de fora virou contrabandista.Perita no assunto se tornou e não demorou para ir morar na cadeia fazendo as regras para as companheiras que entravam ou saiam para a liberdade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Aniversário também é decepção - Maura Fernandes






ANIVERSÁRIO TAMBÉM É DECEPÇÃO

Bisbilhotando a bolsa do marido, Jericiúma, encontra uma curiosa caixinha toda dourada, linda mesmo! Pensou - deve ser pra mim que faço aniversário amanhã.


E deu-lhe vontade de saber o que continha aquela belezura. Sentou-se a beira da cama, e pumba! Abriu o presente e teve uma bela surpresa! Era um babydol amarelo, lindo!... Nunca comentei que gostava disso!


Naquela mesma noite enquanto foi ao teatro com amigas, ele ficou em casa tomando uma cerveja com os amigos. No entanto, Ela vitimada por cólicas, teve que voltar mais cedo. Quando chegou o pavor tomou conta de seu semblante, ele estava vestindo a tal pecinha engraçadinha. Não a viu, e saiu. Nunca mais foi visto! O Aniversário deixou-a traumatizada, tanto que ao falar lhe causa náusea. Ela o deixou naquele dia e até hoje não se reconciliaram...


Presente revelador - Ana Maria




Presente revelador

Ana Maria


Engraçado que ele nunca quis me agradar tanto! Uau, este aniversário promete! – Pensava Francisca enquanto caminhava afoita em direção ao cabelereiro, queria deslumbrar, afinal era sua data.


Não tirava da cabeça o presente que descobriu na maleta do marido, uma lingerie amarela com a qual exuberaria num quarto qualquer de motel para agradar seu companheiro de mais de quinze anos. Norberto sempre foi excuso não gostava de demonstrar seus sentimentos. Fechava-se muitas vezes e não dizia palavra alguma tendo Francisca que adivinhar seu pensamento. Era chato isso sim, mas ela gostava de suas carícias, o admirava como marido. Amor não, ela achava que não havia mais amor entre eles, apenas um respaldo de respeito. Nunca tiveram filhos, vontade de Norberto, crianças atrasavam a vida deles – dizia.


Ao anoitecer a mulher postou-se produzida e perfumada diante da porta que ele abriria para comemorarem seu aniversário. O marido saiu cedinho bem vestido num terno alinhado, tudo para agradá-la no final do dia! Ali já estava há mais uma hora. Às vezes pegava o fone e ensaiava ligar, mas desistia, não queria parecer imediatista. Desligou o Frank Sinatra que cantava seguidamente a mesma música, e entreteu-se na novela. Ia ser uma noite como todas as outras, ela ficaria ali esperando por ele até ele chagar cansado e já alimentado. O trabalho dele era sempre mais importante! – queixava-se ela.


Na tela as mesmas personagens parecia muito com sua vida, a mesmice. Eis que entra em edição extraordinária o jornal dizendo de um incêndio em tradicional fábrica de tecido. Era a firma do Norberto. Os bombeiros diziam que havia ainda alguém lá dento. Ela apavorou-se, era ele que estava lá. Como ela poderia ficar achando que ele não lembraria de seu aniversário se até o presente comprou com antecedência! Era uma boboca, isso sim! – pensava enquanto roia as unhas esmaltadas. Via com aflição o trabalho dos homens da corporação em escadas magirus alçando o andar da janela do escritório do marido e retirando de lá duas pessoas desacordadas. Ela benzeu-se agradecendo por essa façanha. Os repórteres noticiaram as identidades das vítimas: Norberto Silveira e Carlos Lima, os paramédicos dizem que vão ficar bem. Francisca pensou, esses dois estão sempre juntos até na tragédia!Os jornalistas amontoaram-se no local aproximando a câmera para melhor tomada de imagem e o que se pode ver chocou Francisca. Carlão usava calças com arrebites metálicos e correntes com grossos elos nas mãos, enquanto Norberto vestia uma delicada lingerie amarela...

Encontro de 21 de outubro - Lição de sala e lição de casa


OFICINA IDÉIAS E IDEAIS
3º encontro – Livraria Cortez – 21 de outubro de 2008

AMBIGUIDADE - Evite-a para fazer uma boa redação

A ambigüidade é um dos problemas que podem ser evitados na redação. Ela surge quando algo que está sendo dito admite mais de um sentido, comprometendo a compreensão do conteúdo.

Isso pode suscitar dúvidas no leitor e levá-lo a conclusões equivocadas na interpretação do texto.

A inadequação ou a má colocação de elementos como pronomes, adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo enunciados inteiros podem acarretar em duplo sentido, comprometendo a clareza do texto. Observe os exemplos que seguem:

· "O professor falou com o aluno parado na sala"

Neste caso, a ambigüidade decorre da má construção sintática deste enunciado. Quem estava parado na sala? O aluno ou o professor? A solução é, mais uma vez, colocar "parado na sala" logo ao lado do termo a que se refere: "Parado na sala, o professor falou com o aluno"; ou "O professor falou com o aluno, que estava parado na sala".

· "A polícia cercou o ladrão do banco na rua Santos."

O banco ficava na rua Santos, ou a polícia cercou o ladrão nessa rua? A ambigüidade resulta da má colocação do adjunto adverbial. Para evitar isso, coloque "na rua Santos" mais perto do núcleo de sentido a que se refere: Na rua Santos, a polícia cercou o ladrão; ou A polícia cercou o ladrão do banco que localiza-se na rua Santos"

· "Pessoas que consomem bebidas alcoólicas com freqüência apresentam sintomas de irritabilidade e depressão."

Mais uma vez a duplicidade de sentido é provocada pela má colocação do adjunto adverbial. Assim, pode-se entender que "As pessoas que, com freqüência, consomem bebidas alcoólicas apresentam sintomas de irritabilidade e depressão" ou que "As pessoas que consomem bebidas alcoólicas apresentam, com freqüência, sintomas de irritabilidade e depressão".

Uma das estratégias para evitar esses problemas é revisar os textos. Uma redação de boa qualidade depende muito do domínio dos mecanismos de construção da textualidade e da capacidade de se colocar na posição do leitor.

Ambigüidade como recurso estilístico

Em certos casos, a ambigüidade pode se transformar num importante recurso estilístico na construção do sentido do texto. O apelo a esse recurso pode ser fundamental para provocar o efeito polissêmico do texto. Os textos literários, de maneira geral (como romances, poemas ou crônicas), são textos com predomínio da linguagem conotativa (figurada). Nesse caso, o caráter metafórico pode derivar do emprego deliberado da ambigüidade.

Podemos verificar a presença da ambigüidade como recurso literário analisando a letra da canção "Jack Soul Brasileiro", do compositor Lenine.

Já que sou brasileiro
E que o som do pandeiro é certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do suingue é o país da contradição
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada, na língua da percussão
A dança, a muganga, o dengo
A ginga do mamulengo
O charme dessa nação (...)

Podemos observar que o primeiro verso ("Já que sou brasileiro") permite até três interpretações diferentes. A primeira delas corresponde ao sentido literal do texto, em que o poeta afirma-se como brasileiro de fato. A segunda interpretação permite pensar em uma referência ao cantor e compositor Jackson do Pandeiro - o "Zé Jack" -, um dos maiores ritmistas de todos os tempos, considerado um ícone da história da música popular brasileira, de quem Lenine se diz seguidor. A terceira leitura para esse verso seria a referência à "soul music" norte-americana, que teve grande influência na música brasileira a partir da década de 1960.

O recurso à ambigüidade no texto publicitário

Na publicidade, é possível observar o "uso e o abuso" da linguagem plurissignificante, por meio dos trocadilhos e jogos de palavras. Esse procedimento visa chamar a atenção do interlocutor para a mensagem. Para entender melhor, vamos analisar a seguir um anúncio publicitário, veiculado por várias revistas importantes.

Sempre presente
Ferracini Calçados

O slogan "Sempre presente" pode apresentar, de início, duas leituras possíveis: o calçado Ferracini é sempre uma boa opção para presentear alguém; ou, ainda, o calçado Ferracini está sempre presente em qualquer ocasião, já que, supõe-se, pode ser usado no dia-a-dia ou em uma ocasião especial.

Se você não se julga ainda preparado para uma utilização estilística da ambigüidade, prefira uma linguagem mais objetiva. Procure empregar vocábulos ou expressões que sejam mais adequadas às finalidades do seu texto.

*Nilma Guimarães é graduada e licenciada em Letras Clássicas e Vernáculas pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Atualmente faz mestrado em Educação na USP, na área de metodologia do ensino de Língua Portuguesa.

PROPOSTA DE TEXTO PARA A SALA: Você vê na bolsa dele um presente embrulhado com muito requinte e fica radiante, pois seu aniversário se aproxima. Curiosa abre com cuidado a embalagem e vê linda lingerie amarela envolta em cetim branco bem organizada numa caixa dourada que exala um suave perfume floral. Emocionada com o presente que ganharia prefere guardar segredo de sua descoberta para fazer-se surpresa quando fosse presenteada. Eis que no dia do aniversário...

SEGUNDO TEXTO PARA SER FEITO EM SALA: Na calçada tumultuada o homem caminha apressado para evitar mais um atraso em seu novo trabalho. Será o terceiro da semana e o chefe não iria tolerar. Sufocado e suando frio, corre ofegante. Mas as pessoas parecem se multiplicar à sua frente, os carros cruzam seu caminho, os camelôs interceptam sua trajetória, tudo parece um complô para que ele seja despedido outra vez. CONTE ESSA HISTÓRIA DANDO AOS PERSONAGENS SUAS CARACTERÍSTICAS. DÊ AO TEXTO UM DESFECHO QUE CHOQUE O LEITOR. SURPREENDA-O! OUSE! SAIA DO “LUGAR COMUM”!

Fizemos esses dois textos em sala. Fizemos também um texto coletivo que ficou muito bom! Estamos ficando bons nisso! (risos). Quem não esteve presente pode fazer também esses dois contos e leva-los para serem lidos no próxima terça feira.

Para casa:
Criar um conto que se passe em época de Natal. Não faça um conto natalino de festejos comuns. Isso servirá para "sairmos do lugar comum".
OUSE!
CRIE PERSONAGENS DIFERENTES.
SITUAÇÕES INUSITADAS.

domingo, 19 de outubro de 2008

Um mineiro na ponte aérea - Carmen Apóstolo





Orlando era um mineiro muito rico e muito medroso.Fazia sua primeira viagem de avião , em primeira classe, de Confins ao Rio de Janeiro. Estava esbaforido de medo.
Mais ou menos na metade do trajeto ele grita , desesperado :
_Dona aeromoça, estou sentindo um calor do Tisnado ,do Duba -Dubá, sei la...
Um momento, vou buscar um dicionário !
_Por acaso a senhorita vai me abanar com ele?
_Pelo menos vou saber o que o senhor está falando.
_Eu quero é tirar a roupa, puxe daí que eu puxo de cá... Ajude, Abra a porta que eu quero sair !
_Não é possível, senhor, calma!
O avião entrou em turbulência e Orlando desatou os laços de seu repertório regional, gritando:
_Socorro.............Socorro ! Estou atordoado com essa tremedeira de avião. Moça, oipossevê:
Eu fiquei sensabê doncovim e proncovô !
_O senhor já chegou ao seu destino.
_Oncotô ?
_Na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro !...
Dirigindo-se à aeromoça, o mineiro pergunta com toda simplicidade:
_Agora posso por a roupa?

sábado, 18 de outubro de 2008

Bêbado e trapalhão - Carmen Apóstolo


Bêbado e trapalhão

Carmen Apóstolo

Os bombeiros foram chamados para salvarem um suicida que estava pendurado nas grades do
Viaduto do Chá. Estava muito bêbado e só falava em versos.
Nesse momento passou por ali um grande apresentador de T.V. , muito sério, e também com a fisionomia bem amarrada .Ele tentou convencer aquele senhor a mudar de idéia. Fez uma entrevista
com rimas para ser mais convincente :
Apresentador: Meu senhor, o que o levou
A essa atitude tomar ?
Só por causa de uma lei
O senhor quer se matar ?
Desista de tudo isso,
Venho aqui pra negociar

Bêbado: Foi a lei seca, doutor
Essa coisa atrapalhada,
Me levaro pra cadeia ,
Me fizero toma banho
Da cabeça até no pé
Mia muié ficou danada,
Diz que por causa da pinga ,
A lei seca foi molhada!
Apresentador:
Não beba mais, nunca mais,
Quem bebe perde o que tem,
A bebida não convém !

Bêbado Nos campo do fazendão
Eu perdi minha boiada,
La se foi o meu carrão
E minha viola afinada!
Fiquei sozinho na estrada,
Eu e a pinga marvada !
Mais si é pra salvar gente
Nunca mais eu vou morrer
Isso fica pra depois...
Quando eu parar de beber !...
Os bombeiros e o apresentador salvaram a vida do bêbado trapalhão que retirou de uma sacola amarrada na cintura , um belo litro de pinga dizendo :

_Amigos, vamos brindar a vida !...

Caminhos opostos - Isabel C. S. Sousa




Caminhos opostos

Isabel C. S. Sousa


Parecia tudo cor-de-rosa – depois de um casamento regado por uma paixão avassaladora - amor estilo romântico – tranqüilo... doce...


Ana - vinte e cinco anos – sedutora – olhos brilhantes – corpo graciosamente arredondado – passos macios e firmes – possuía tudo o que fascinava Pedro.
Pedro – cerca de trinta e cinco anos - era elegante - olhos esverdeados iluminavam seu rosto moreno – sua conversa fluía com desenvoltura e se denotava certa experiência de vida.


Ana se encantou por ele.


Seria o casamento perfeito, juntando os sonhos de ambos e estabilidade financeira.


Assim, algum tempo se passou e Ana fazia de sua vida um conto de fadas.
Até que um dia, há sempre um dia que nos rouba a fantasia. Em um programa de TV, Ana vê a foto de seu marido estampada na telinha fazendo parte dos procurados pela policia.


Foi como se a noite baixasse de repente e as estrelas se apagassem.
Descobriu então, que ele era traficante.


Atordoada pensou conversar com ele – pedir-lhe para mudar de vida.
Perguntar-lhe por que a havia enganado?


Seria óbvia a resposta, ele diria:


“Se eu lhe contasse você me rejeitaria e eu a amo demais!”


Não havia dúvida que ambos se amavam.


Ana pensou muito de inicio e tentou fingir ignorar a vida dupla de Pedro. Mas era difícil, se sentia hipócrita. Então abriu o jogo revelando ao marido a sua descoberta dizendo que não iria ser cúmplice fingindo que nada sabia - e reforçou – ou você sai dessa vida ou nosso casamento acaba aqui.


Pedro fez um enorme esforço para se manter calmo: Ana, eu amo você, só quero o seu perdão, mas o meu envolvimento é tão grande! A minha cabeça está a premio. Tentei levar uma vida digna depois de conhecer você, mas a vida do crime chega a tal ponto que não tem mais volta.


Alojou-se em seus corações a sensação angustiante do fim de uma história que poderia ter sido e não foi.


Quando a policia chegou Pedro entregou-se sem resistência, mas antes abraçou a esposa pedindo perdão novamente.


Foi como se tivessem construído ao redor de suas vidas um belo jardim de cristal, e que uma tempestade destruiu repentinamente, cujos estilhaços atingiram ambos profundamente.


Ana o perdoou, mas não poderia mais viver com ele. A pena de trinta anos os separou para sempre.


Foi então, que rumou sua vida amorosa para outra paixão que a levou a construir um novo jardim, mas, desta vez com bases mais sólidas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Além do véu - Carmen Apóstolo






Além Do Véu

( Carmen Apóstolo)

Com o rosto coberto
Por um Tênue véu,
Isis fica à espera
De uma luz do céu.
No saber,
A idealização do ler!
Como não sentir
Que o véu nos envolve a face
Levando-nos a entender
Que através da filosofia
Há um mundo de sabedoria
Que tudo pode abranger:
Ler, entender,
Reconstituir idéias,
*Do nada se perde,
tudo se transforma*,
Não importa a forma
E sim a lógica
E a experimentação da ciência,
Cada uma a conduzir
A verdadeira sapiência.

Estou vendendo um realejo - Carmen Apóstolo




Estou vendendo um realejo
Carmen Apóstolo

Jacy estava completamente apaixonada e resolveu se casar com João Pedro, um rapaz elegante de sua cidade.
Nos primeiros meses tudo corria bem até ela perceber alguma coisa não esperada...
Seu marido recebia muitos amigos em casa, a portas fechadas, tratando de assuntos dos quais ela
não fazia parte. Ouvia sempre uma palavra aqui, outra ali... Seu querido era um viciado. Ficou pensativa !
_Tenho que tentar, não posso abandoná-lo a sua própria sorte ! Nós nos amamos tanto...
A moça, muito perspicaz, foi analisando os pontos das poucas palavras ouvidas e logo entendeu :
_Tenho que agir com a máxima presteza! Preciso salvar João Pedro.
Montou uma estratégia, comprou um realejo com um periquito verde-amarelo. Era um verdadeiro dançarino. Movimentava-se ao ritmo e ao som das valsas vienenses.
A menina treinou bem, deu corda naquela caixa mais de mil vezes para ouvir aqueles sons , trocou todas as mensagens que a avezinha pegava com o bico para entregas às pessoas como um aviso da sorte. As frases eram todas muito positivas e entusiásticas como:
_ Você é uma pessoa maravilhosa! .
_Toda sua vida será modificada para melhor!
_Converse com as estrelas, ouça o seu interior!
_O silêncio também é bom conselheiro!
_Escute a voz do coração , ela o conduzirá ao maior sentimento, o amor !
Todas as noites ,quando o marido chegava do trabalho, os dois retiravam seus prognósticos
que a ave trazia .Vibravam em meio aos sons e palavras, abraçavam-se e beijavam-se
efusivamente.
Com o passar do tempo, aqueles bons pensamentos se enraizaram e acabaram por se transformar em bons hábitos.
Com isso, venceram todos aqueles obstáculos e são felizes até hoje!
Estou vendendo um realejo ! Você quer comprar ?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Iracema e Epitácio - Noemi Carvalho


Iracema e Epitácio


Iracema tinha muita vontade de estudar. Trabalhava numa padaria e passava o dia junto à fornalha. Quando ela aparecia ao balcão, os clientes gritavam:
-Iracema quentinha vem pra cá!
Um cliente de cara fechada, não abria a boca.
-Você gosta de pãozinho quente? - ela perguntava.
-Não! Queima a boca, ele respondia.
-Qual seu nome?
-Epitácio!
Com pouca conversa, ele virou a cabeça e ela pode ver o narigão avantajado.
Cada vez mais ela se encantava com os atributos dele.
Iracema notava que ele tinha hora certa para aparecer.
Em determinado dia,apareceu fora de hora.
-Você não quer ir comigo à escola?
Ela ficou admirada!
Desde então, Iracema vai à escola de mãos dadas com Epitácio.
noemicarvalho@uol.com.br

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Santo Antonio me arruma um noivo!! - Noemi Carvalho




Santo Antonio me arruma um noivo!!!!!!


Nesta tarde tão florida
Com tantos convidado,
Eu tô aqui pra mór
De encontrá um noivo.

Meu vestido tá encomendado
Minha grinarda é faceira
Mas farta o noivo eu achá.

Prá mór de vê se encontro
Nesta prateia tão bonita,
Trouxe doce prá nóis comemorá.

Lá do sítio onde moro
Há de chegá muita gente.
Mas a bicharada era muita,
Então trouxe só a galinha Jacinta
Prá mór de representá.

Oi Jacinta,
Se comporta!...
Aqui não é galinhero,
É festa do meu noivado
Só tô esperando o noivo chegá...

Sô muito devota!
Santo Antonio é meu santo preferido.

Converso com ele todo dia,
Prá mór de um noivo arranjá.
Até trouxe ele pra me ajudá!
Mais viu Santo Antonio,
Ocê tem que caprichá
Pois quero um noivo de muitas qualidade.
Não sou exigente não!
Só quero um noivo bonito e cheiroso
Pois meu nariz num guenta mais
Tanto cheiro da porcada lá do sítio.
Ah! Ele tem que tê boca perfumada
Prá mor de uns beijo a gente trocá.
Pode tê dentadura mas não me deixa vê ele sem dente.
Tem que sê carinhoso prá mor de fazê cócega no meu pescoço.

Santo Antonio ,vê lá o noivo que vai me arranjá,
Pois minha mãezinha lá no céu ia ficá muito contente
De eu tê um noivo bem aprumado.
Ah! Santo Antonio não deixa ele sê guloso
No fogão não quero ficá pois quero tê
Tempo prá namorá.

Já que fiz minhas exigência,Santo Antonio!
Prá prateia vou de novo oiá,
Prá mor do noivo eu encontrá.

Todo mundo já é cumprometido,
Então meu santinho já que aqui
Não vou arrumá um noivo,
Vô esperá o outro aniversário do sinhô.Se até lá,
Eu não arranjá, perco a paciência,boto o Sr.
De cabeça prá baixo,vou fazê tanta promessa
Até o noivo encontrá.

Agora vamo comemorá ,
Vóis distribui doce prá adoçá
Os cunvidado,prá mor deles
Esperá até o noivo chegá.
noemicarvalho@uol.com.br

O português que se fala e o português que se escreve - Oficina do dia 14 de Outubro


OFICINA IDÉIAS E IDEAIS

O português que se fala e o português que se escreve.

2º encontro na Livraria Cortez – 14 de outubro de 20008


Além de se constituir nas duas modalidades (oral e escrita), a língua varia no tempo e no espaço, em toda e qualquer comunidade. E há ainda as variações dos grupos sociais (jovens, grupos de profissionais, etc) e até mesmo, há variação quando um único indivíduo, em situações diferentes, usa diferentemente a língua, de forma a se adequar ao contexto de comunicação.

Imagine que você foi a um hospital e ouviu um médico conversando com outro. A certa altura, um deles disse: "Em relação à dona Fabiana, o prognóstico é favorável no caso de pronta-suspensão do remédio. "

É provável que você tenha levado algum tempo até entender o que o médico falou.

Agora suponha que o mesmo médico acima referido, falando com a paciente em questão, tenha dito, sobre o fato que foi o tema da conversa com o colega, ouvida por você: "Bem, dona Fabiana, não haverá problema se o remédio for suspenso".

Essa situação exemplifica uma característica de toda e qualquer língua no mundo: sua variação, a depender de vários fatores, tais como: as regiões do país; o tempo histórico; os grupos sociais distintos; as situações de comunicação diversas.

Variações sociais

Você conhece o "Dicionário dos Mano"? Aqui vão alguns exemplos:

Mano não briga: arranja treta. / Mano não cai: capota. / Mano não entende: se liga. / Mano não passeia: dá um rolê. / Mano não come: ranga. / Mano não fala: troca idéia / Mano não ouve música: curte um som.

Variações regionais

Se você fizer um levantamento dos nomes que as pessoas usam para a palavra "diabo", talvez se surpreenda. Há uma quantidade enorme de termos usados para designar esse "ser do mal". Em diversas culturas, não se pode usar o nome dele, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o demônio apareça, pelo simples fato de ter sido dito seu nome. Assim, para se evitar que ele surja, muitas pessoas usam outros nomes para ele.

No famoso livro "Grande Sertão: Veredas", Guimarães Rosa usa uma linguagem muito característica do sertão centro-oeste do Brasil, que foi fruto de muita pesquisa local por parte dele. Veja como o escritor usou muitas designações para "diabo" na referida obra:

Demo/ Demônio /Que-Diga Capiroto /Satanazim/ Diabo /Cujo Tinhoso /Maligno Tal /Arrenegado Cão/ Cramunhão/ O Indivíduo /O Galhardo /O pé-de-pato /O Sujo/ O Homem /O Tisnado/ O Coxo /O Temba /O Azarape /O Coisa-ruim /O Mafarro /O Pé-preto /O Canho/ O Duba-dubá/ O Rapaz /O Tristonho/ O Não-sei-que-diga /O Que-nunca-se-ri/ O sem gracejos/Pai do Mal / Terdeiro/ Quem que não existe /O Solto-Ele /O Ele Carfano /Rabudo.

Agora leia esse saboroso relato, que transcreve a forma mineira de falar:

Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando uma pincumel e cuzinhando um kidicarne com mastumate pra fazer uma macarronada com galinhassada. Quascaí de susto, quandoví um barui vinde dendoforno, parecenum tidiguerra. A receita mandopô midipipoca denda galinha prassá. O forno isquentô, mistorô tudu e a galinha ispludiu! Nossinhora! Fiquei branco quinein um lidileite. Foi um trem doidimais! Quascaí dendapia! Fiquei sensabê doncovim, proncovô, oncotô. Oiprocevê quelocura! Grazadeus ninguém semaxucô!

Variações históricas

Leia um trecho de Carlos Drummond de Andrade, grande escritor brasileiro, que elabora seu texto, a partir de uma variação lingüística, relacionada ao vocabulário usado em uma determinada época no Brasil.

Antigamente

"Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio."

Como escreveríamos o texto acima em um português de hoje, do século 21? Toda língua muda com o tempo. Basta lembrarmos que do latim, já transformado, veio o português, que, por sua vez, hoje é muito diferente daquele que era usado na época medieval.

Diferentes situações de comunicação

Uma mesma pessoa pode escolher uma forma de linguagem mais conservadora numa situação formal ou um linguajar mais informal, em situação mais descontraída. Quantas vezes, isso não acontece conosco, no cotidiano? Na família e com amigos, falamos de uma forma, mas numa entrevista para arranjar um emprego é muito diferente. Essas diferenças lingüísticas dependem de: familiaridade ou distância dos que participam do ato de linguagem; grau de formalidade da ocasião; tipo de texto usado: conferência, conversa, artigo etc.

Portanto, para saber se adequar a diferentes situações de comunicação, com variações lingüísticas próprias de cada ocasião, você precisa ser um "poliglota na própria língua"...

Nosso país multilíngüe

Nosso país é constituído de muitos falares: as variedades da língua portuguesa, as línguas indígenas, as línguas dos imigrantes, as expressões das línguas africanas, além das línguas de fronteira do Brasil com os países da América do Sul.

Mas também é verdade que os vários falares, no Brasil, não têm o mesmo prestígio social. Basta lembrarmos de algumas variações usadas por pessoas de determinadas classes sociais ou regiões, para percebermos que, há preconceito em relação a elas.

Vamos pensar um pouco mais a respeito, lendo algumas estrofes de um longo e belo texto de Patativa do Assaré, um grande poeta popular nordestino.

O Poeta da Roça
Sou fio das mata, canto da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a emoção transmitida por essa poesia? Bem, o grande Patativa do Assaré era analfabeto (sua filha é quem escrevia o que ele ditava), mas sua obra atravessou o oceano, pois além de sensibilizar os brasileiros, ficou conhecida na Europa, especialmente na França, pela sua intensa sensibilidade poética.

Leia agora, um poema de um intelectual e poeta brasileiro, Oswald de Andrade, que, já em 1922, enfatizou a busca por uma "língua brasileira".

Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados

Uma certa tradição cultural nega a existência de determinadas variedades lingüísticas dentro do país, o que acaba por rejeitar algumas manifestações lingüísticas por considerá-las deficiências do usuário. Nesse sentido, vários mitos são construídos, a partir do preconceito lingüístico.

* Alfredina Nery é professora universitária, consultora pedagógica e docente de cursos de formação continuada para professores na área de língua, linguagem e leitura.

AGORA VAMOS POR A MÃO NA MASSA!


Oficina idéias e ideais – 14 de outubro de 2008

Texto para escrever em sala: (Narração com Diálogo)

Imagine uma aeromoça em conversa com um passageiro da primeira classe que insiste em tirar toda a roupa durante o vôo.

Ou um sério apresentador de programa de televisão em conversa ao vivo com um bêbado que tenta suicídio por causa da lei seca.

Ou ainda um pobre e analfabeto vendedor ambulante que insiste na oferta de produto desinteressante.


Texto para o blog: (vamos começar a escrever este texto em sala)

Após o casamento repentino por conta de uma paixão avassaladora, a esposa descobre a vida marginal que leva seu marido...

Escreva um conto aonde essas descobertas vão fazendo a mulher tomar decisões na vida matrimonial: ela poderá ser sua cúmplice nos crimes dele, denunciá-lo, tentar regenerá-lo, ignorar sua descoberta, ou...

Não se esqueçam de tudo que já foi falado: cuidado com a descrição do personagem e do cenário escolhido. Cuidado com as falas. Escolha dos nomes adequados para os personagens. Dê um título que atraia o leitor. Releia seu texto tantas vezes quantas forem necessárias.

O texto mais original, mais bem escrito, ganhará destaque especial no blog.

Epitácio e Iracema - Maria de Lourdes Wolff



Epitácio e Iracema

Epitácio foi pego de surpresa com uma camisinha no bolsinho externo do paletó. Ao retirar o lenço deixou cair o acessório.
Sua noiva Iracema surpresa, rubra, mas discreta trocou olhares tristes quase em pranto com o rapaz, e emudeceu.
Epitácio encabulado quase sem voz reagiu com a desculpa de que o amigo Roberto, “esse cabeção” deve ter colocado por brincadeira em seu bolso.
Mas o amor e a formação de Iracema foram maiores que a desconfiança dando por encerrado o constrangimento. Colocou um pedrão no assunto.

Maria de Lourdes Wolff

Amor proibido - Ivonéte Miranda




AMOR PROIBIDO



Ivonéte Miranda


Conheci um casal que teve filhos gêmeos, lindos.
Um dia o casamento foi se desgastando e veio a separação.
O marido arrumou outra mulher e foi embora, ficando a esposa com os dois filhos.
A coitada trabalhava muito, mas não dava conta das despesas.
Assim, terminou entregando o menino para um abrigo de crianças.
Coitada! Sofreu muito, mas teve de se conformar.
Largou tudo e veio para o sul.
A filha cresceu e se tornou uma linda moça.
Um dia ela foi para uma balada e conheceu um belo rapaz.
Ficou apaixonada.
Trouxe o jovem para apresentar para sua mãe.
Quando ele estendeu a mão e disse seu nome, a mãe desatou a chorar, pois tinha reconhecido. Era seu filho. O gêmeo que deixara para trás. Foi um horror para a moça.
E agora?
O que fazer/

Torcer - Carlos Drummond de Andrade

TORCER

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.

Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.
Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso,
pela primeira palavra , pelo primeiro passo.

O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.
E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu
que tem gente que torce diferente de você.

Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho,
escovar os dentes, estudar inglês e piano.

Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão.
Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.
E quando os hormônios começaram a torcer,
torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.
Depois começou a torcer pela sua liberdade.
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.
Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.
Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã,

para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais.
Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado.

Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou.
Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.

Na faculdade, então, era torcida pra todo lado.
Para a direita, esquerda, contra a corrupção,
a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro.
Torceu para ela não te achar muito baixo,
muito alto, muito gordo, muito magro.

Descobriu que ela torcia igual a você.
E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.
Torceram para ganhar a geladeira, o microondas
e a grana para a viagem de lua-de-mel.

E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.
Porque, mesmo antes do seu filho nascer,
já tinha muita gente torcendo por ele.

Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. Mas muita gente ainda torce por você!
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não ha explicação (duvidosa), mas ha poesia (inexplicável) da vida.'

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 12 de outubro de 2008

Emengardo, o caipira - Carmen Apóstolo


Emengardo, O Caipira.
(Carmen Apóstolo)

Emengardo, recém chegado do interior, foi logo arrumando um trabalhinho em São Paulo,
em um sobrado espaçoso, comportando atividades completamente diferentes :as do andar de cima e as do andar de baixo. Assim era conhecido esse estabelecimento bem popular.Quem morava ali por perto, já sabia o que e onde encontrar.

Naquele dia, mais ou menos as doze e meia, na hora do almoço, chega um senhor bem vestido, olha aqui e lá, dá com o caipira e pergunta:

_Aqui se come bem, amigo ?

_Sei dizê não, seu dotô.Eu desci aqui pra pegar duas caixa.

_Eu estou falando de um bom prato!

O caipira coçou a cabeçorra e respondeu:

_É, mas eu só conheço essas imbalage... Aqui, ou é na caixa , ou é no vidro.E tem que trazer receita.

_Olhe, ali no topo da escada está escrito café.Tem cafezinho, pelo menos?

_Não, a tal da cafetina fais mar !

_E, que tal uma bebidinha?

_Bebidinha, só na torneirinha!

_E um sanduichão?

_O sanduicheiro infartou!

_Como? Eu sou médico, Dr. Felisbino a seu dispor.

_Não se assuste doutor, ele sempre infarta e quando vem, é de má vontade.

_Ah, !Tem ali um homem comendo na mão !

_Tá comendo não.Ele tá contando quantos dedos tem. Esqués de tudo e
nem sabe falar direito !

O Dr, indignado, perde a paciência e encerra tudo com um pedido irônico:

_Ai, Ai... Traz pra mim ,deiz carmante e uma caixa dágua. E sai apressado.

Emengardo corre para a porta e grita:

_Doutor, o senhor não queria almoçar ? É no andar de cima, UAI !...

Ipitácio e Iracema - Isabel C. S. Sousa



Ipitácio ama Iracema
E ela nem percebia
Mas ao ver o tal poema
Vibrou então de alegria.

Ipitácio lá na praça
Recitou com emoção
Bem alto cheio de graça
Estas rimas de montão:

“Sou caipira tenho fama”
“Mais caipira é quem me chama”
Sou poeta bem grandão
Tenho sempre os pés no chão

Outro dia, eu peguei um papelsão
Escrevi... escrevi... rimas de montão

Que poema bestial!
Mostrei-o à minha amada
Abriu o bocão afinal
Não sabia que era casada
Com o grande poetão
E me disse de chupetão:

Amor do meu coração
Sempre te achei um jumentão
Agora, te acho um figurão!
Letrado – poeta – queridão...

E, com tanta intensidade
Serei poeta e maridão
Neste nosso mundo cão
Até à eternidade!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um grande amor - Maria de Lourdes Wolf


Um Grande Amor (Uma Aura de Mistério)


Um local grande com vários cômodos e jardins onde inúmeras pessoas se distribuem.


Desconheço o motivo da reunião. Um belo rapaz alto e moreno, do tipo árabe está presente e próximo a mim. Discretamente tento atraí-lo ou fui atraída por ele. Não sei. Consciente da minha inferioridade devido a idade, dos meus quase setenta anos, eu recuava. Um aproximar sem chegar numa busca física e psicológica incontrolável. Não devia transparecer essa irresistível sedução que tomava conta do meu ser. Porém o homem de forma discreta corresponde a emissão da minha energia.


Num momento encontramo-nos sentados lado a lado num banco junto a uma mesa rústica de madeira. À nossa frente uma embalagem semi-aberta com apetitosos filés de anchova.


Nesse momento minha primeira manifestação, sevindo-o algumas ínfimas porções do que parecia um manjar dos deuses. Há trocas de palavras e gentilezas entre nós.


De repente uma explosão se faz sentir, agora dupla, não só no meu ser, mas no rapaz.


Descontrolados, procuramos abrigo em meio a tantas pessoas ocupadas, para saciarmos a fúria atingida em nossas carnes. Ao encontrarmos um local que nos parecia tranqüilo, o homem desaparece!Uma estranha mulher nos acompanhava de perto mas eu não associei a sua intenção.Essa pessoa entrou em cena ocupando o lugar do rapaz.Tive a sensação de afundar em areia movediça.


Era tarde demais. Eu já não controlava minhas emoções, meu corpo em transe queimava em brasa. Envergonhada, mas excitada, na companhia dessa mulher, procurava novamente um canto seguro no meio dos jardins para desabafar nossa paixão. Quando pensávamos estarmos a sós verificamos que um outro casal nos precedia.Humilhada,procurava disfarçar minha ridícula situação de ansiedade e desejo pela figura feminina ao meu lado.


Em determinado momento a moça desaparece e retorna ao seu lugar o cavalheiro apaixonado com a mesma anterior e incontrolável paixão. Retomamos a busca de um lugar tranqüilo para saciarmos nosso desejo agora imbuídos de um fortalecido amor.


De maneira inesperada há uma nova separação sem a censura do ato sexual. Até então não tinha certeza da reciprocidade do amor dele. Pensei sua aproximação ser apenas pela minha beleza,inteligência,sucesso profissional e social.


Em seguida vem ao meu encontro outra bonita mulher que se diz irmão desse desconhecido cavalheiro e declara que seu irmão está apaixonado por mim. Afasto-me do local para um lugar parecido com uma obscura loja e envergonhada tento disfarçar minha identidade. Porém logo me encontro em público outra vez, numa praça e saltitando sobre duas tábuas espaçadas numa espécie de carroça. Estou feliz, jovial e bela. Dirijo-me nesse instante ao meu marido que se encontra a minha frente, o meu primeiro amor. Grito ao avistá-lo, não lembro bem as palavras, mas sei que são arrebatadoras e desafogadoras! Oi meu bem!


O estranho e belo homem acompanha a tudo e vê minha figura reejuvenescida. A sua apaixonada imagem,sem identidade a nos espreitar ficou gravada em meu coração e com ela eu despertei com vontade de recordar o distanciado e lindo amor platônico.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Historinha de amor - Maura Fernandes



HISTORINHA DE AMOR

Serafina amava Jecão, ou o Jecão, amava Serafina?
Todas as tardes passavam em frente aquela casa um
Senhor, segurando pela mão uma criança que parecia ter uns 7ou8 anos. A Serafina o apelidou de
Jecão, mas ela estava mesmo apaixonada por aquele Jequinha.
Ele passava olhando p’ra seu lado ela não se continha.
Ficava com o peito em brasa, mas não sabia explicar o que era aquilo que a perturbava tanto. Era da mesma cidade. Não se conheciam de falar um com o outro. Ela ficava com o coração aos pulos quando o via.Mas porque? se perguntava. Esse pequeno parece ser elétrico pois, quando o vejo sinto uma coisa estranha, mas era gostosa aquela sensação de bem estar. Que será isso meu Deus? Nem sei mais o que fazer. Falar pra minha mãe?
Nem pensar. Assim a Serafina passava os dias sem saber o que acontecia com ela. E pensava, procurando um jeito de sair daquela situação. Acho que vou fazer umas novenas a minha santinha, pedir p’ra ela me ajudar, ou mostrar em sonho como dar o nome a isso. Estou ficando borocoxô. O meu Deus me ajude!...
Jecão - Jequinha
Santa – Santinha
História-historinha

Foi no passado - Isabel C. S. Sousa



Há muitos e muitos anos uma história se passou algures num ermo sítio.

Dois velhinhos bem casados – analfabetos convictos – espreguiçavam-se certo dia em que ouviram uma noticia fantástica:

Havia sido inventada uma máquina de escrever – isto foi no tempo muito antes da taquigrafia.
Olharam o seu burrinho e simultaneamente pensaram:

Uma viagem à cidade mais próxima para verem essa máquina... seria uma boa idéia.
Ora – ora – os filhos longe...

Raciocinaram então:

Com essa máquina poderemos mandar noticias aos nossos filhos!

Vestiram a melhor roupa, dinheirinho nos bolsos, montaram firme o simpático jumento, e lá foram rumo à cidade grande.

Quanto tempo demorou?

A história não contou.

Ao chegarem à cidade procuraram e encontraram a sonhada máquina.

Perguntaram ao vendedor:

Escreve de verdade?

Claro, tudo o que vocês quiserem.

Compraram.

Regressaram então ao pequeno sítio onde moravam.

Ansiosos colocaram o tão almejado objeto sobre a mesa, introduziram um papel branco no lugar certo e, começaram a falar bem alto na direção das teclas:

Querido Bira - ocê é o primero a recebê noticias de papai e mamãe – com esta máquina ocê não precisa aprendê a lê nem escrevê – é só sabê falá.

E, aquela geringonça permaneceu quieta e fria...

Desolados resolveram voltar à cidade para “aprenderem” como manejar a respectiva máquina.
Pegaram o burrinho e lá foram cabisbaixos.

Escusado será dizer que nada conseguiram. No caminho resolveram então que ela serviria de adorno como objeto raro, ficaria bem na frente da porta da entrada sobre aquele bonito móvel rústico que eles tanto gostavam.

Assim, trotando o animal já cansado, a mulher dizia afetuosamente dirigindo-se ao pachorrento burrinho:

Eu te digo a ti – cá homes praí mais bestas que tu mê burro.

Os dois companheiros continuaram unidos até ao fim de seus dias e descrentes das invenções dos homens.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Nosso encontro de hoje - 08 de outubro - Na Cortez

Olá meninas!
Nosso primeiro encontro na Cortez!
Fomos recebidos com muito carinho pelo Diretor Ednilson e pela Assessora de imprensa, e queremos agradecer pela atenção.

Hoje tinhamos cerca de des pessoas na sala.
Tomamos cafezinho delicioso oferecido pela Livraria! - hummm

Falamos hoje sobre contos.

Lemos "As flores" de Leon Eliachar:


Há dois meses que Iracema recebia flores, sem cartão. Colocava tudo nas jarras, vasos, copos; mesas, janelas, banheiro e até na cozinha. Quando o marido lhe perguntava por que tantas flores, todos os dias, ela sorria:

— Deixe de brincadeira, Epitácio.Ele não percebia bem o que ela queria dizer, até que um dia:

— Epitácio, acho bom você parar de comprar tanta flor, já não tenho mais onde colocar.

Foi aí que ele compreendeu tudo:

— O quê? Você quer insinuar que não sabia que não sou eu quem manda essas flores?

Foi o diabo, ela não sabia explicar quem mandava, ele não conseguia convencê-la de que não era ele.

— Um de nós dois está mentindo — gritou, furioso.

— Então é você — rebateu ela.

No dia seguinte, de manhã, ele decidiu não sair, pra desvendar o mistério.

Assim que as flores chegassem, a pessoa que as trouxesse seria interpelada. Mas não veio ninguém:

— Já são duas horas da tarde e as flores não chegaram, Epitácio. É muita coincidência. Vai me dizer que não era você.

Ele não tinha por onde escapar. Insinuou muito de leve que a mulher devia ter conhecido alguém na sua ausência. Ela chegou a chorar e se trancou no quarto. A discussão entrou pela noite até o dia seguinte. Epitácio saiu cedo, sem mesmo tomar café. Bateu a porta com força e levou o mistério para o trabalho.

Meia hora depois, a mulher saiu e foi ao florista.

— Como vai, Dona Iracema? A senhora ontem não veio, heim? Aconteceu alguma coisa?

À noite, Epitácio viu as flores e não disse uma palavra, mas a mulher não parou:

— Seu cínico. Bastou você sair para as flores aparecerem e ainda tem coragem de dizer que não foi você.Nessa noite ele teve insônia.

Texto extraído do livro “O homem ao zero”, Editora Expressão e Cultura – Rio de Janeiro, 1968, pág. 275.

Ainda falamos sobre as características do conto:


CONTO E SUAS CARACTERÍSTICAS

Características do gênero literário

O conto é uma obra de ficção, um
texto ficcional. Cria um universo de seres e acontecimentos de ficção, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

Grande flexibilidade

Por outro lado, o conto é um gênero literário que apresenta uma grande flexibilidade, podendo se aproximar da poesia e da crônica. Os historiadores afirmam que os ancestrais do conto são o mito, a lenda, a parábola, o conto de fadas e mesmo a anedota.O primeiro passo para a compreensão de um conto é fazer uma leitura corrida do texto, do começo ao fim. Através dela verificamos a extensão do conto, a quantidade de parágrafos, as linhas gerais da história, a linguagem empregada pelo autor. Enfim, pegamos o "tom" do texto.

Primeiros passos

Podemos perguntar também: Quem é o autor do texto? Seja na internet, numa enciclopédia ou mesmo nos livros didáticos, é bom fazer uma pesquisa sobre o autor do conto, conhecer um pouco sua biografia. É um autor contemporâneo ou mais antigo? É um autor brasileiro ou estrangeiro?O conto quase nunca é publicado isoladamente. Geralmente ele faz parte de uma obra maior. Por exemplo, o conto "Uma Galinha", de Clarice Lispector, faz parte do livro "Laços de Família".

Seguindo adiante

Depois dessas primeiras informações, podemos fazer uma leitura mais atenta do conto: elucidar vocábulos e expressões desconhecidas, esclarecer alusões e referências contidas no texto. Também podemos pensar no título do conto. Porque o autor escolheu este título? Este esforço de compreensão qualifica - e muito - a leitura. Torna o leitor mais sensível, mais esperto.O passo seguinte é fazer a análise do texto. No momento da análise o leitor tem contato com as estruturas da obra, com a sua composição, com a sua organização interna. Para analisar o texto, é bom observar alguns aspectos da sua composição. Algumas perguntas são muito importantes: Quem? O que? Quando? Onde? Como?Formular as perguntas e obter as respostas ajuda a conhecer o conto por dentro:

 Quais são os personagens principais?
 O que acontece na história?
 Em que tempo e em que lugar se passa a história narrada?
 E algo bem importante: Quem narra? De que jeito? O narrador conta de fora ou ele também é um dos personagens?Depois dessa análise, fica mais fácil interpretar a obra. Já temos uma base para comentar, comparar, atribuir valor, julgar. Nossa leitura está mais fundamentada. Fica mais fácil responder à pergunta: O que você achou do conto?

Este texto é de autoria de Heidi Strecker é filósofa e educadora.




Depois de apresentarmos uma pequena lista de aumentativos e antíteses sugerimos a criação de um conto cijos personagens fossem Epitácio e Iracema, num apequena história de amor, regada de aumentativos e antíteses.

O resultado foi interessante, e os textos nos fizeram rir. No decorrer da semana postaremos os contos de hoje.

Quem não esteve no encontro de hoje também poderá fazer e enviar esse conto.

Aproveitem para fazer a lição de casa: Conto caipira - com personagens caipiras. No texto vamos ainda usar muitos aumentativos. Não discuidem do vocabulário, da descrição da personagem (física e personalidade), e evitem o uso de "lugares comuns".

Meninas, vocês estão ma-ra-vi-lho-sas!

Amor mistério - Maura Fernandes




AMOR MISTÉRIO

O amor é a maior força do mundo!
Nele consiste toda pureza e império,
De um coração dorido e profundo...
Repleto de bondade, cheio de mistério.

Neste amor deposito minha fé...
De Ascender min’alma para à vida.
Gastarei todo tempo que tiver,
Para estar contigo querida!

Amor assim já não existe mais!
Como amigo te preso e admiro.
Quem sabe, na loucura nos meus ais,
Viveremos assim num paraíso?

Te, adoro com amor assim te quero.
Todo meu carinho te dará
Nesta estrada da vida te espero
E um dia irei te encontrar!

Você, nunca curtiu um grande amor?
Enterra-se numa vida sem critério?
Atire a pedra gritando de pavor...
E diga, nunca tive amor mistério!

Não falo de amor vulgar.
Estou falando de \amor sincero,
Que faz o coração pulsar...
E vibrar com este AMOR mistério.

A morte - Isabel Sousa




A morte

Os anos passaram lentos – monótonos - e os bons velhinhos nem olhavam para trás, seus olhos cansados não enxergavam mais as cores do mundo. Sabiam que já haviam passado há muito dos noventa, estavam beirando os cem anos de idade.
Lembravam-se das bodas de Prata - de Ouro – de Diamante – dos treze filhos que tiveram, e que andavam por este mundo afora tentando melhor sorte. Possivelmente em S. Paulo, o sonho dos nordestinos.
Em um lugar escondido no sertão de Pernambuco os simpáticos velhinhos viviam como se os dois fossem um só.
Pegavam da terra o sustento que seus corpos fragilizados precisavam. Ainda sabiam sorrir, seus rostos sem viço faziam lembrar figos secos há muito guardados em uma velha despensa.
Naquela tarde de sol, sentados nas cadeiras de balanço, balançavam... balançavam... devagar – tudo o que faziam era lentamente – os anos lhes foram tirando as energias – eles também não tinham pressa. Conversavam pausadamente – repetiam os assuntos – pois naquele sertão nada acontecia e suas mentes já nada criavam. Não que tivessem abolido o sentido de amar – sonhar – mas tinham desaprendido muitas coisas essenciais. Amavam-se, cada um ao seu jeito, sem ambições de poder, queriam simplesmente viver.
Naquele final de tarde eles falavam da morte feia e fria. A velhinha dizia:
Quando ela chegar iremos os dois juntinhos – não agüentaríamos viver um sem o outro.
O vento varria as folhas secas – e uma pancada na porta se fez ouvir – assustados os bons companheiros trêmulos perguntaram:
Quem é?
A morte – venham abrir...
Os dois se olharam com o medo estampado nos rostos e disseram:
Não conhecemos você, então não abriremos.
A Morte insistiu:
Está na hora – abram – venho trazer-lhes o descanso.
Aterrorizados com a cumplicidade no olhar não se moveram.
Vai você, diz a mulher.
Ao que o homem respondeu:
Não posso, minha perna está doendo – abra você por favor.
Ela estarrecida continuou imóvel.
Ambos olharam através da vidraça as velhas árvores firmes e fortes que haviam sido plantadas pelas suas próprias mãos e, murmuraram:
Plantamos árvores – tivemos filhos – lutamos juntos com muito amor...
O homem pensativo ergueu os olhos ao céu e pausadamente articulou:
Falta-nos escrever um livro – nossa missão não está cumprida aqui na terra – conversaremos com a Morte e entraremos em acordo.

Vá à minha frente eu ficarei para escrever um livro em nome de nós os dois – falarei do sertão – do nosso amor – dos nossos filhos...
Vá e espere lá que eu irei depois.
Ela replicou:
Como partir sem você? Se você não abrir a porta eu também não abrirei.
Apesar de velhinhos eles estavam voltados para a vida e não queriam deixá-la.
Cúmplices ergueram-se sorrateiramente e encaminharam-se para a velha cama de ferro deitaram-se e fecharam os olhos.
Uma sombra entrou pela janela abeirou-se do leito e deu-lhes o eterno descanso.
Pela manhã alguns amigos e parentes absortos fizeram o sinal da cruz.
Confiantes na vida acompanharam os hirtos corpos libertos e extintos à sua última morada.

Clarinha e Gustavo - Noemi Carvalho




Clarinha e Gustavo


O velho muito velho,recolhe-se depois de bater muita sola.
A velha tão velha e tão esperta corre levar-lhe chocolatada com amendoim.O quarto grande e imenso, cama de rainha.No silêncio dos fundos do casarão,um velho e uma velha se amam.No outro dia,ele faz sapato e ela crochê,esperando com ansiedade pelo novo recolher.




Quando criança presenciei este amor.Meu bisavô torto casara-se novamente com vó Clarinha.Ela também viúva por duas vezes,abandonara a família em São Paulo para viver essa paixão no interior do estado.

Ele tinha a oficina de consertos de sapatos nos baixos da grande casa pastoral,onde a filha morava com o marido pastor evangélico e filhos.

A vópassava o dia arrumando o quarto com cama alta,imponente fazendo a comidinha que ele gostava.

E à noite se amavam a portas fechadas, sempre com a enorme caneca de chocolate e amendoim enquanto a família,na sala ao lado, discutia,jantava,rezava e criticava o comportamento dos dois.Mas o fim chegou para o casal e a família achou que era melhor separá-los. Os filhos da vó Clarinha vieram buscá-la e vô Gustavo ficou em casa,vindo logo falecer logo.
Só a interferência familiar pode afastá-los um do outro.



A menina que não tinha dentes - Noemi Carvalho




A menina que não tinha dentes....


Vânia garota bonita,muito alta para sua idade,cursava o quarto
ano primário.Tinha expressão curiosa nunca sorria.Também
não falava.Sentava na última carteira.
Nos trabalhos era uma aluna acima da média.
Chegaram as provas de final de ano.Ela passou com boa
nota,recebeu o diploma e a professora nunca mais a viu.
Passaram-se dois anos.
E a mestra foi surpreendida com o bater à porta.
-Quem é? Perguntou.
Virou-se e à sua frente estava uma mocinha
bonita,sorridente,com o franja no cabelo que era sua
característica.
-A senhora lembra de mim?
Vânia continuava a falar...
-Vim mostrar pra senhora,que coloquei dentes.
Era a boca banguela,tão bem guardada que a professora nunca
descobriu que Vânia era uma menina sem dentes.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A Sombra e a Máscara - Mel Neves


A Sombra e a Máscara
Mell Neves


Por trás da máscara
Um outro pensar
Daqueles que a observam
E a veem brilhar

Mas dentro é opaco
Os glíteres são falsos
Diamantes de vidro
Quebrados por pés descalços

Um ego fragilizado
Dentro do personagem imponente
Vivendo à sombra do passado
Refletindo no tempo presente

Tirar a máscara é preciso
Mostrar a nudez do rosto
Deixar aparecer o eu verdadeiro

Aprender que nem todo sorriso
É pra expressar o que está exposto
É a fração revelando o inteiro

domingo, 5 de outubro de 2008

Rosas vermelhas - Carmen Apóstolo



Vilma enxugava as lágrimas com seu lenço de seda . Era o momento do amor já envolvido pela saudade.

. Um barco ao longe deslizava sobre o mar revolto fazendo seu coração quase saltar do peito.
José partiu e as esperanças enfraqueciam pouco a pouco .

A moça pertencia a uma família pequena:senhor Pedro e senhora Luiza. Eram muito ricos. O mesmo não se poderia dizer sobre o rapaz. As diferenças marcantes acarretaram o final do romance .Para evitar comentários , mudaram-se para bem longe. A filha ficava cada vez mais triste, definhava. Os pais se descontrolaram no rumo dos negócios perdendo tudo o que tinham.
. Sete anos se passaram.

O dia anunciava um belo domingo ensolarado!Todos foram à missa naquela pequena cidade interiorana .Dona Luiza , sempre elegante a salvar as aparências .No final das atividades dominicais,

quando saíam da igreja, depararam com uma linda Limozini estacionada bem ali em frente.
Dela saiu primeiro o chofer, bem uniformizado, seguindo o protocolo que a situação exigia.

A jovem , para ser agradável ao pai , exclamou com um tom diferente na voz:

_Papai , o carro dos seus sonhos !

_Mas você é o maior dos meus sonhos! _acrescentou _

Nesse momento , um homem bem vestido se aproximou. com um viçoso ramalhete de rosas vermelhas-Vilma não teve dúvida, atirou-se nos braços de José, abraçou-o e com toda paixão e disse emocionada :

_Eu sabia , meu amor,você nunca me esqueceria. .Ele respondeu ternamente:

_Minha amada,um grande amor não tem fronteiras,, terá sempre o perfume e o viço das rosas vermelhas. Pode morrer a cada dia ,mas renascerá no próximo instante se for mesmo, o verdadeiro !

E os beijos ardentes como o fogo a crepitar,testemunharam o renascimento do amor.

Amor de um cão - Isabel


A Isabel nos enviou esta poesia onde retrata um acontecimento verídico, e gostaríamos de postar para todos.



AMOR DE UM CÃO



Porte de pastor
Olhar triste
Perambula sofredor

Sentimento sem igual
Ele perdeu a alegria
Quando o dono foi detido
Naquela delegacia

Que o dono fez afinal?
Não sabemos nem importa
Mas o amigo sentido
De alma irracional
Não saiu mais lá da porta

Faça chuva, faça frio...
Sol, ou longo estio...
Dali não arreda pata
Há quem pergunte então:
Que faz aqui este cão?

É um cachorro vira-lata,
Debaixo dum banco dorme,
Alguém lhe joga comida
E a tristeza o consome

Ele espera quase à toa...
E eu digo a qualquer pessoa
Com toda a convicção:
A certeza de ser amada
É ter um amigo Cão.

sábado, 4 de outubro de 2008

Nossa Oficina em novo espaço!


Começaremos nova etapa da Oficina Idéias e Ideais em espaço novo, entre centenas de grandes escritores, na LIVRARIA CORTEZ - RUA BARTIRA 317 (ENTRADA PELO PISO MONTE ALEGRE) - Dia 07 de outubro (terça feira) das 14 às 17 horas.


Queremos aproveitar para agradecer o enorme carinho do Diretor da Livraria Cortez - Ednilson - que nos recebeu de maneira tão acolhedora!


Ah, Na Livraria tem um cafezinho delicioso, e podem levar os biscoitinhos que serão bem vindos.


Vamos continuar falando de contos e suas características.


Levem o texto pronto para comentarmos. Um conto que fale de amor. Não esqueçam de nossas dicas: textos curtos e evitem palavras desnecessárias. Releiam sempre o conto, pelo menos duas vêzes, antes de darem por acabado.
Se for possível, mandem os textos antes de terça para o e-mail da Oficina: oficinaideiaseideais@gmail.com


Vamos levar um conto delicioso para ser lido pelo grupo. Trata-se de um escritor conhecidíssimo que fez contos, poesias e crônicas! Mas não vou contar nada agora. Aguardem!


Na terça às 14 horas, na Cortez tem Idéias e Ideais!


LIVRARIA CORTEZ

RUA BARTIRA 317 - entrada pelo piso Monte Alegre

Bairro Perdizes - Ao lado da PUC

Fone da Livraria: 3873 7111

Tem estacionamento próprio à porta.

Esperamos vocês lá!